O recente caso da descoberta de uma cepa semelhante à do vírus Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), mais conhecida como mal da vaca louca, em um animal abatido em 2010 no município de Sertanópolis (Norte), a busca do Paraná na obtenção do status de livre de febre aftosa sem vacinação e também a erradicação de outras doenças que podem afetar o gado bovino como a brucelose e tuberculose reacenderam as discussões sobre a eficiência e a qualidade da sanidade no setor agropecuário paranaense. Os temas foram discutidos ontem durante o Encontro Estadual de Conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs) durante a ExpoLondrina.
De acordo com Antonio Carlos Barreto, chefe do núcleo regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o suposto caso de vaca louca foi esclarecido e a sanidade do rebanho paranaense segue dentro dos padrões normais. "Nós do Conselho de Sanidade Animal sempre estamos discutindo as questões ligadas à qualidade do nosso rebanho", enfatizou Barreto.
Durante o evento, foram formadas mesas em que os integrantes, em sua maioria técnicos e produtores, discutiram temas específicos de sanidade. Entre eles, o Fundo de Aval para Brucelose e Tuberculose, inspeção, sanidade vegetal e alimentação segura. Barreto afirma que uma boa sanidade é um dos itens mais importantes da cadeia produtiva, principalmente porque é uma das principais exigências dos países importadores de carne bovina.
Segundo ele, a prevenção de doenças como a brucelose e a tuberculose, que ainda afetam o rebanho paranaense, é de suma importância. "Precisamos da contribuição do produtor no combate a essas enfermidades", destaca. Barreto completa que o Estado possui um bom programa de vacinação contra a brucelose e a tuberculose, mas o produtor deve ficar sempre atento.

Febre aftosa
No caso da febre aftosa, o objetivo do Paraná em conquistar a categoria de área livre da doença sem vacinação ainda gera muitas dúvidas. Segundo Barreto, o Estado vem trabalhando neste assunto há muito tempo, mas revela que ainda é necessário uma série de medidas para que isso ocorra. Uma delas é a ampliação da fiscalização de fronteira, para que não haja contrabando de animais, evitando, assim, uma possível contaminação. "Precisamos de esquemas mais eficientes de fiscalização", completa.
Luigi Carrer Filho, diretor de atividade agroindustrial da Sociedade Rural do Paraná (SRP), explica que a categoria de área livre de febre aftosa só é válida se for concedida também para São Paulo e Mato Grosso do Sul. "Ficaríamos muito isolados se esses dois estados ficarem de fora, principalmente na parte de troca de genética e livre trânsito de animais", explica. Filho completa que se for formado um bloco, seria vantajoso conseguir esse título.
O diretor completa que o Brasil tem muito o que trabalhar para se considerar livre da doença sem vacinação. "Esse tipo de mudança não ocorre do dia para a noite", salienta Carrer Filho. Para ele, a Sociedade Rural do Paraná não é contra a busca pelo status, mas é preciso estudar a viabilidade do processo. Pedro Soares Sutil, criador de gado de corte e leite na região de Faxinal, afirma que a não obrigatoriedade da vacina será bom para o setor, mas salienta que é necessário aumentar a fiscalização de animais vindos de fora.
Atualmente, o Paraná possui um rebanho total de 9,5 milhões de cabeças de gado. No Estado, são realizadas duas campanhas de vacinação para a prevenção da doença. Uma em meados do ano, quando são vacinados animais de até 24 meses de idade, e outra cinco ou seis meses depois, quando todos os animais precisam ser vacinados.

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