O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, defendeu ontem em Londrina que serão necessários pelo menos cerca de R$ 80 milhões a mais ao ano para resguardar a sanidade animal nas fronteiras brasileiras. Recém-empossado no cargo, Stephanes esteve na cidade para a abertura oficial da 47 Exposição Agropecuária e Industrial (ExpoLondrina). Além de reforçar a questão sanitária como prioridade para os próximos quatro anos, o ministro ainda estabeleceu que políticas específicas a essa área de atuação serão anunciadas dentro dos próximos 60 a 90 dias.
Stephanes foi recebido pelo presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Alexandre Lopes Kireef, pelo vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), secretário estadual de Agricultura, Valter Bianchini e prefeito Nedson Micheleti. Também participou da abertura o governador de Rondônia, Ivo Cassol (PPS), cujo estado fronteiriço e de economia agropecuária também sentiu os efeitos da febre aftosa em 2005 e 2006.
Durante a maior parte das manifestações, o ministro da Agricultura garantiu empenho para resguardar o País da ocorrência de novos focos da febre - uma vez que, em função da crise vivida nos anos anteriores, alguns estados sofrem até hoje com as restrições à exportação. Para isso, destacou, serão necessários aporte adicional de recuros e, possivelmente, a diminuição dos investimentos de parte dos projetos do Mapa.
De acordo com Stephanes, o trabalho será voltado não apenas ao controle sanitário externo, como também na articulação com países de fronteira como Paraguai, Argentina e Bolívia. ''Exemplo dessa preocupação é a reunião com ministros da Agricultura do Brasil e do Paraguai, além de secretários dessa área do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná, dia 20 próximo, em Foz do Iguaçu'', adiantou.
Sobre o aporte de recursos que garanta o trabalho nas fronteiras, contudo, Stephanes admitiu ainda não ter nada de concreto para o andamento das atividades previstas. ''Recurso é questão de mobilizarmos - se não conseguirmos, pode vir algo tanto da Itaipu Binacional, que deve participar, quanto de organismos internacionais ou mesmo do Mapa, talvez até diminuindo investimento em outros programas'', informou, para completar: ''Dentro de 60 a 90 dias teremos um projeto pronto - para isso, já fizemos as primeiras reuniões com estados de divisa e já conversei com Paulo Bernardo (ministro do Planejamento) e ele se mostrou favorável a encontrar uma solução financeira a essa questão''.
Paraná-Segundo o vice-governador do Paraná, Orlando Pessuti, o trabalho pela defesa sanitária no estado deve ser reforçado, este ano, por meio da contratação de mais veterinários. ''Vamos concentrar em resolver a pendência no MS (que ainda cumpre vazio sanitário) e, por aqui, um trabalho mais intenso com mais veterinários para cuidar da questão''.
Para o presidente da SRP, o setor está otimista com a atuação do novo ministro. 'A expecattiva é que as ações de defesa sanitária se concretizem, e para isso ele tem nosso apoio. Mas não se pode esquecer também a construção
e a sacramentação de uma política agrícola definitiva de garantia à rentabilidade, por meio, principalmente, de um seguro agrícola'', avaliou Kireef.

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