Sanepar vai romper contrato com acionistas
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sábado, 08 de fevereiro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O contrato firmado entre a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e os acionistas que pertencem ao Consórcio Dominó, que tem 39,7% das ações da empresa, está prestes a ser cancelado. A informação é do procurador geral do Estado, Sergio Botto de Lacerda, que confirmou a intenção do governador Roberto Requião (PMDB) em querer recuperar o poder do Estado na administração da empresa. O rompimento do contrato deve ser assinado na próxima segunda-feira, às 11 horas.
Segundo Lacerda, o ''distrato'' será assinado pelos representantes do Consórcio Dominó, Renato Torres de Farias, Paulo Roberto Welzel e Ricardo Sena. Para chegar a esse consenso, Lacerda disse que há mais de 30 dias, a procuradoria do Estado está em intensa negociação com os representantes do Consórcio Dominó. Em função desse impasse a diretoria que vai assumir a Sanepar ainda não foi nomeada pelo governador Requião.
As comunicações formais já foram enviadas e o procurador acredita que os represantes do Consórcio Dominó vão assinar o distrato, que é a dissolução do contrato. Caso isso não aconteça, ele disse que a desistência será entendida como encerramento das negociações de uma solução amigável para o assunto, o que poderá levar o Estado a tomar medidas para o rompimento do contrato. Durante encontro com empresários em Curitiba no início da semana, o governador Requião ameaçou ocupar a Sanepar com a polícia caso o Estado não retome o controle acionário da empresa.
Após a assinatura do distrato será convocada a reunião do Conselho de Administração da empresa para dar posse à nova diretoria que será indicada pelo governador. O representante da construtora Andrade Gutierrez, Caio Brandão, está cotado para assumir a presidência do grupo.
O Consórcio Dominó é formado pelas empresas Andrade Gutierrez, que tem 27,5% das ações do grupo; pelo banco Opportunity, que tem 27,5% das ações; pelo grupo frances Vivendi, que tem 30% das ações; e pela Copel que tem 15% das ações. O estado do Paraná é o acionista majoritário das ações da Sanepar, com 60%.
De acordo com o governador, no governo passado foi firmado um ''pacto de acionistas'' pelo qual o estado do Paraná, apesar de ser o acionista majoritário, perdeu poder no controle da empresa. Os acionistas minoritários, através do Consórcio Dominó, assumiram o controle da empresa que tinha como objetivo a maximização dos lucros da empresa para serem distribuídos aos acionistas.
Para os investimentos, a Sanepar começou a recorrer a financiamentos internacionais e os controladores ''proibiram'' o governo do Estado de fazer investimentos que na prática significava a redução da participação acionária do governo do Estado, disse o governador. Só que o aval dos empréstimos internacionais eram do governo do Estado e não das empresas.
O escândalo era tão grande que o governador disse que conseguiu convencer um dos donos da Andrade Gutierrez a romper com o pacto, o que deve levar os demais acionistas ao mesmo procedimento. Apesar disso, o governador disse que concorda com a participação da iniciativa privada na diretoria da empresa e está disposto a dar a ela uma diretoria.


