Curitiba- Apesar de ter fechado o ano de 2007 com redução no lucro líquido, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) pretende investir R$ 500 milhões neste ano em sistemas de água e esgoto e eficiência operacional. No ano passado, a empresa registrou redução de 11,4% no lucro líquido que passou de R$ 177,08 milhões em 2006 para R$ 156,95 milhões. A companhia explicou que para manter a tarifa social que beneficia 1,5 milhão de consumidores, abriu mão de R$ 63,9 milhões em receita. A empresa informou ainda que tem capacidade de endividamento e que o lucro está dentro das metas do acionista majoritário.
Desde 2003, no ano passado foi a primeira vez que a companhia reduziu os investimentos que caíram de quase R$ 500 milhões em 2006 para R$ 337,54 milhões em 2007. A empresa explicou, através da assessoria de imprensa, que trabalha com as necessidades dos municípios e que há projetos que levam até dois anos e meio para serem colocados em prática. A Sanepar destacou que não realizou corte de investimentos em 2007.
No entanto, no balanço divulgado na última terça-feira, a própria empresa explica que um dos fatores que trouxe impacto para o resultado de 2007 foi a manutenção da política tarifária. A empresa não reajusta as tarifas desde fevereiro de 2005. No mês passado, o governador Roberto Requião vetou o reajuste de 14% nas tarifas de água e esgoto que tinha sido aprovado pelo Conselho de Administração da companhia.
O coordenador do curso de Ciências Econômicas da UNIFAE (Centro Universitário Franciscano do Paraná), Gilmar Mendes Lourenço, disse que o problema mais profundo da Sanepar está vinculado a mudança que houve a partir de 2003, quando o governo do Estado começou a perseguir uma retomada do controle acionário. Naquele momento, foi anulado na Justiça o acordo de acionistas que foi celebrado na gestão do governo Jaime Lerner. O acordo dava o controle privado para o Grupo Dominó.
''Desde então, foi gerada uma pendência judicial. Em função disso, nem o Grupo Dominó, nem o governo do Estado têm realizado investimentos nos níveis necessários para manter ou ampliar o sistema de água e esgoto. Mais cedo ou mais tarde, isso viria a comprometer a rentabilidade dos negócios da Sanepar'', destacou.
Para ele, o segundo motivo que levou à redução do lucro foi a falta de reajustes nas tarifas. ''Quando a empresa mantém as tarifas congeladas, não está repassando para o preço do serviço os aumentos de custos que aconteceram. Por isso, teve queda no lucro'', explicou.
Lourenço acredita que, a curto prazo, seria necessário realizar um reajuste tarifário, para mostrar para os investidores e potenciais financiadores que a empresa está preocupada com a remuneração do capital investido. A médio e longo prazo, ele defende um acordo entre o governo e o Grupo Dominó.

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