Sanepar usa índice errado em reajustes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Rosana Félix<br>De Curitiba 
A Sanepar está utilizando um índice errado de inflação para justificar os reajustes nas tarifas de água. No dia 1º a tarifa mínima foi reajustada em 12,8%, e em março de 2002 terá novo aumento, de 5,8%. A Sanepar alegou que o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) acumulado desde 1994 até outubro deste ano era de 219,36%, sendo que a água havia aumentado apenas 144,08% no período. Porém, de acordo com o Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o IGP-M desse intervalo foi de apenas 137,99%.
''Fomos observar que eles estavam levando em conta a inflação de julho de 1994 em cruzeiros reais, que foi de 40%'', relatou o economista do Dieese Cid Cordeiro. Segundo ele, a inflação em real naquele mês foi de apenas 4,34%, e era esse percentual que deveria ser considerado. ''Fazendo as contas certas, a inflação do período foi de 137,99%, aquém dos reajustes da Sanepar'', observou. Cordeiro afirmou que nenhum contrato ou reajuste tem como base o IGP-M utilizado pela companhia.
O Dieese também criticou a Sanepar por reajustar a tarifa visando arrecadação para investimentos. ''O consumidor está financiando a expansão da rede da Sanepar e quem está se apropriando do lucro é o grupo Dominó (que controla 34,74% da empresa desde 1998) e o governo estadual'', afirmou Cordeiro. As empresas que compõem o Dominó são a francesa Vivendi, a Andrade Gutierrez, Copel e Banco Opportunity.
De acordo com Cordeiro, a Sanepar está tendo redução de custos, porque o aumento concedido aos funcionários é inferior à inflação, ao contrário do que acontece com o reajuste das tarifas de água. ''A Sanepar vem batendo, ano após ano, recordes nos lucros, mas isso não é repassado ao consumidor'', criticou. Em 2000, a estatal teve lucro de R$ 136,4 milhões, aumento de 130% em relação a 1999.
A Sanepar, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que o IGP-M utilizado pela empresa é o índice oficial de reajuste de preços. A empresa afirmou que precisa ter receita suficiente para poder dar garantia aos financiadores de que vai poder pagar os recursos emprestados. Segundo a companhia, a única forma de arrecadação é com as tarifas, e por isso é preciso que ela seja compatível com os investimentos. A empresa alega também que as despesas financeiras subiram 87,25% por causa das taxas de juros altos e pela alta do dólar.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (Senge), Carlos Roberto Bittencourt, o aumento das tarifas de empresas que foram privatizadas ou vendidas em parte, caso da Sanepar, é uma constante. ''A partir do momento em que entrou esse consórcio (Dominó), a política dentro da Sanepar mudou, em busca do lucro a qualquer preço'', avaliou.


