Engenheiros, técnicos e mergulhadores estão fazendo os ajustes finais para implantar captadores de água flutuantes no reservatório da Hidrelétrica de Itaipu. A preocupação da Companhia de Saneamento do Paraná, a Sanepar, é que a unidade de captação fixa não consiga abastecer a maioria das casas de Foz do Iguaçu, caso ocorra o rebaixamento do lago.
O projeto prevê a instalação de dois equipamentos. A ‘‘Emergencial 1’’ está sendo montada perto do refúgio biológico da usina e deve ficar pronta dentro de 15 dias. Assim que estiver funcionando, poderá captar 450 litros por segundo, a mesma capacidade da atual unidade fixa, responsável pelo abastecimento de 60% da cidade (cerca de 42 mil ligações). ‘‘A primeira unidade ficará 250 metros distante da margem. Ela será usada quando o nível do lago atingir a cota 210 (metros acima do nível do mar)’’, explicou o engenheiro da Sanepar, Valdomiro Gabriel Kyt, lembrando que a unidade instalada na margem tem capacidade atual para captar água até a cota 214.
O projeto, orçado em R$ 211 mil, está sendo desenvolvido pela Vettore, empresa sediada em Joinville (SC) e especializada em tubulações submersas. ‘‘Nosso grupo conta com sete profissionais, entre eles quatro mergulhadores. Desenvolvemos uma tecnologia similar à usada na Holanda, onde os tubos flexíveis são soldados por termofusão’’, explicou Isac Benvenuti, destacando que a economia pode chegar a 50%.
Os coordenadores do projeto informaram ainda que a segunda unidade deve ficar pronta até outubro. Com capacidade idêntica à primeira (450 litros por segundo), a Emergencial 2 deve ficar ancorada 1,3 mil metros lago adentro, onde a captação poderá ser feita na cota 200, limite também considerado crítico para a geração de energia das 18 turbinas instaladas na usina (atualmente, a cota gira entre os 218 metros). ‘‘Vale lembrar que estamos trabalhando com a hipótese de isso acontecer. Não poderíamos esperar a confirmação da usina para iniciar um projeto tão demorado’’, comentou o Valdomiro Kyt.
A gerência da Sanepar em Foz, comandada por Edgard Faust Filho, também concorda com o engenheiro. Segundo informações da diretoria, a empresa de saneamento recebeu um ofício da Itaipu ‘‘informando a possibilidade de haver rebaixamento do lago’’.

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