Sanepar quer reajustar tarifa em 11,7%
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sexta-feira, 01 de junho de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Conselho de Administração da Sanepar encaminhou ao governador Roberto Requião o pedido de reajuste de 11,7% para a tarifa de água e esgoto. Caso, o aumento seja aprovado, a tarifa mínima cobrada pela companhia - para quem consome até 10 metros cúbicos passaria de 30,25 para R$ 33,78 em Curitiba e de R$ 29,43 para R$ 32,87 nas demais cidades do Estado. Os novos valores seriam cobrados a partir de 10 de julho. O governador recebeu a solicitação ontem. Até o fechamento desta edição ainda não havia nenhuma decisão sobre o assunto.
Como o governo do Estado é o principal acionista da Sanepar, com 60% do capital votante, o aumento precisa passar pelo crivo do governador. O reajuste já foi aprovado pelo Conselho de Administração da companhia na última segunda-feira. O presidente do conselho, Pedro Henrique Xavier, acredita que Requião não vai autorizar o reajuste. ''O governador entende que a função da Sanepar é o interesse público'', disse.
Independente da decisão de Requião a tarifa social que atende 350 mil famílias será mantida. Têm direito ao benefício as famílias que moram em imóveis com até 70 metros quadrados e com renda de até meio salário mínimo por morador. Para estes consumidores, a tarifa de água e esgoto é de R$ 7,50, com consumo máximo de 10 metros cúbicos.
Xavier disse que se o reajuste não for repassado, a empresa terá que reduzir os investimentos programados no valor de R$ 2,2 bilhões até 2010. Ele disse que o porcentual de corte nos investimentos ainda será objeto de estudos e que não há uma estimativa deste valor. Sem o aumento de 11,7%, a empresa deve fechar 2007 com um lucro líquido ainda menor do que o obtido em 2006 que foi de R$ 177 milhões contra R$ 193 milhões em 2005.
O balanço da companhia de 2006 mostra que os principais impactos na redução do lucro líquido em relação a 2005 foram o racionamento no abastecimento de água provocado pela estiagem e a não realização do reajuste tarifário em 2006. Hoje, a Sanepar atende 8,3 milhões de paranaenses com água e 4,1 milhões com esgoto. Em 2006, os custos e despesas da companhia (excluindo depreciações e amortizações) foi de R$ 667,8 milhões, valor 16,1% maior que em 2005.
No bolso - Para quem consome mais de 10 metros cúbicos de água por mês, há um acréscimo de R$ 2,45 para cada metro cúbico consumido até 30 metros cúbicos, ou mais R$ 4,18 para além desse consumo.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) lembra que a tarifa da água no Paraná está congelada há mais de dois anos. O último reajuste ocorreu em fevereiro de 2005, quando houve aumento de 7,8%. De lá até abril de 2007, a inflação foi de 10,01% segundo o IPCA (índice usado como parâmetro pela Sanepar para o reajuste de 2005) e de 9,13% de acordo com o INPC. ''A Sanepar, portanto, sinaliza com um reajuste maior do que a inflação do período'', afirma o economista do Dieese, Sandro da Silva.
Segundo levantamento do Dieese, desde o início do Plano Real, em julho de 1994, a tarifa da água já subiu 239,48%. O valor da tarifa mínima cobrada pela Sanepar em Curitiba passou de R$ 8,91 em 1994 para os atuais R$ 30,25 (incluindo água e esgoto). Neste mesmo período, os índices de inflação oscilam entre 209,61% (IPCA) e 214,28% (INPC).
Apesar de a tarifa da água ter subido acima da inflação, seu aumento ainda está abaixo da média de reajustes de outras tarifas públicas, segundo o Dieese. De 1994 para cá, a cesta de tarifas públicas teve um aumento de 339,62%. Serviços como energia elétrica subiram 322,62%; correio, 358,33%; transporte público, 375%; telefone, 877,56%. (Colaborou Rodrigo Lopes)


