Sanepar lucrou R$ 260 milhões em 2003
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quinta-feira, 18 de março de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) obteve, em 2003, lucro líquido de R$ 260 milhões. O volume é quase 80% maior do que resultado obtido em 2002 (R$ 145 milhões). O desempenho mais do que satisfatório, segundo balanço publicado ontem pela empresa, é, na verdade, reflexo de uma inteligente manobra por parte do governo do Estado, que transformou uma dívida de R$ 397 milhões em créditos para futuro aumento de capital.
A análise é do consultor econômico-financeiro, Mohamad Talah Júnior. Segundo ele, ''não houve nenhum milagre em termos de gestão administrativa'', mas a empresa passa a ser vista com melhores olhos pelos agentes financeiros, já que a companhia aumenta seu patrimônio líquido e, consequentemente, sua capacidade de endividamento. Segundo ele, se não fossem considerados os R$ 397 milhões no balanço, o patrimônio da Sanepar teria apresentado queda de quase 15%, ficando em torno de R$ 937 milhões, quando em 2002 fechou em R$ 1,104 bilhão.
De quebra, o governo dilapida a participação da Dominó Holdings S/A, pois com o aporte de capital, pode aumentar em até 18% sua participação na Sanepar. Hoje, o governo detém 60% das ações contra 39,7% da Dominó. Outros 12,2% estão dispersas no mercado da bolsa de valores.
Por decisão do governador Roberto Requião (PMDB), referendada pelos conselhos de Administração e Fiscal da empresa, 59% do lucro apurado em 2003 serão reinvestidos na empresa.
Segundo informações da Sanepar, o resultado histórico foi influenciado pela valorização do real, que permitiu uma redução no valor da dívida em moeda estrangeira (dólar e iene). ''Registramos significativa redução na exposição da empresa à variação cambial. Em dezembro, apenas 8,25% dos empréstimos e financiamentos estavam atrelados a moedas externas'', disse o diretor financeiro Hudson Calefe. Também pesaram no balanço, segundo a empresa, o aumento de 18,8% na rentabilidade que, em 2002, foi de 13,6%; e a queda na inadimplência dos históricos 4% para 1,32%, entre outros fatores.
A Sanepar destaca que, mesmo sem reajuste da tarifa em 2003, a receita líquida teve um aumento de 7,86%, passando de R$ 890,1 milhões, em 2002, para R$ 960 milhões no ano passado. Mas os custos e despesas cresceram mais que a receita, fechando 2003 com variação de 11,3%. Apesar disso, o Ebitda (resultado antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações) manteve-se em crescimento, variando positivamente 3,6%.
Para o consultor Talah Júnior, a estratégia do governo não é de todo má, não fosse o prejuízo aos investidores minoritários. Apesar não ser ilegal, o governo subscreve as ações no preço que bem entender e os minoritários não têm como competir com isso.
O aporte de capital, segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, ainda terá que passar pelo crivo dos conselheiros e da Assembléia Legislativa, para se concretizar de fato. O Conselho de Administrativo da empresa fará Assembléia Geral Extraordinária no próximo dia 24, mas segundo o presidente do órgão, Pedro Henrique Xavier, o assunto não estará em pauta. A assembléia apenas irá referendar o conselheiro que ocupará o lugar de Caio Brandão, presidente destituído do cargo.


