Sanepar escapa da crise da Vivendi
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) não sentiu reflexo, pelo menos por enquanto, do abalo sofrido pela multinacional francesa Vivendi Universal. Os papéis da Vivendi, dona de uma subsidiária que detém 11,91% do capital votante da Sanepar, despencaram nos últimos dois dias e acumulam perdade quase 25%. Já as ações preferenciais da Sanepar não tiveram variação e estão cotadas a R$ 2,00 na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Ontem não houve negociação dos papéis da Sanepar. Na terça-feira as ações estavam cotadas a R$ 2,00, uma alta de 4,71% em relação a segunda-feira, quando a crise da Vivendi estourou. Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, a empresa não deve ter nenhum reflexo negativo por causa da multinacional, que foi acusada de maquiar os balanços contábeis para pagar menos impostos. Pelos menos três multinacionais americanas maquiaram seus balanços recentemente, o que provocou turbulência entre os investidores.
''O caso da Vivendi não é tão ruim porque as outras empresas queriam mostrar que tinham lucro em vez de prejuízo'', observou o analista de investimentos Mohamed Talah Júnior. Para ele, a Sanepar não deve ser prejudicada. ''Manchou mais a imagem institucional da empresa, não tanto a questão do dinheiro'', afirmou. Ele disse que depois que a Vivendi anunciou mudanças na direção, a situação deve melhorar. ''A Vivendi é só acionária da Sanepar, não proprietária'', ressaltou.
Parte da direção da Vivendi queria se desfazer de ativos na área de saneamento. A multinancional queria vender 23% dos 63% de participação na Vivendi Environment, que é acionária da Sanepar. A assessoria de imprensa da Sanepar afirmou que essa participação é pequena e por isso não provoca impactos. A Vivendi Environment faz parte do Grupo Dominó, formado também pela Andrade Gutierrez, Opportunity e Copel, que tem no total 39,7% da Sanepar.
O restante é do governo do Estado. A Sanepar tem quase 3 mil funcionários e só um deles é da Vivendi. ''Não acho que a Vivendi vá se desfazer dos papéis da Sanepar'', analisou Talah Júnior. Para ele, se a multinacional resolver vender, encontrará vários interessados dispostos a pagar um bom preço.


