Curitiba A Sanepar publicou em editais ontem que o Conselho de Administração da empresa aprovou a proposta de pagar aos acionistas juros sobre capital próprio em vez distribuir dividendos. A medida está prevista no estatuto da Sanepar, que vai creditar cerca de R$ 27,6 milhões para quem detinha ações da empresa em 31 de dezembro de 2002.
Muitas companhias têm preferido fazer o pagamento de juros sobre capital, que possibilita abatimento do Imposto de Renda. A Sanepar informou que, com essa opção, terá uma economia tributária de aproximadamente R$ 22 milhões. A decisão foi tomada em reunião do conselho em 18 de dezembro, que também aprovou os contratos firmados pela Sanepar que dispensaram licitação. A forma como o pagamento aos acionistas será feito depende ainda de assembléia geral ordinária, que deve ser feita até o final de abril.
A economia de R$ 22 milhões que a Sanepar pretende ter pode dar novo fôlego às finanças da companhia, que não estiveram muito bem em 2002. O balanço do ano passado ainda não foi fechado, mas de janeiro até setembro a empresa contabilizava um prejuízo líquido de R$ 1,2 milhão, motivado principalmente pela alta do dólar. É um valor expressivo, considerando que no mesmo período de 2001, a Sanepar teve lucro líquido de R$ 23,1 milhões.
Uma medida que já garantiu grande economia à Sanepar foi a prorrogação do prazo de uma dívida de R$ 198 milhões, que deveriam ter sido pagos ao governo estadual até o final do ano passado. A companhia se beneficiou de um decreto assinado pelo ex-governador Jaime Lerner em 18 de dezembro, que renegociou o pagamento para 2011.
O governador Roberto Requião (PMDB) criticou anteontem a iniciativa de Lerner e a forma como a Sanepar está sendo administrada. Ele disse que pode até recorrer à Justiça para diminuir a influência do consórcio Dominó nas decisões da empresa. O consórcio (formado pela Andrade Gutierrez, Oportunity, Copel e pela multinacional Vivendi) detém 39,71% do capital votante da Sanepar. O restante pertence ao governo estadual.
A intenção de Requião foi a principal justificativa que a agência de risco Moody's usou para rebaixamento dos ratings da Sanepar, anunciado na terça-feira. Os ratings rebaixados foram os de emissor e da dívida de longo prazo, na Escala Nacional Brasileira, de Aa3.br para A3.br e, na Escala Global de Moeda Local, de Ba2 para Ba3. Segundo comunicado da Moody's, a revisão é reflexo do ''impacto financeiro que os planos do governador e as alterações na administração possam ter sobre a Sanepar, sua performance financeira e operacional e ainda, o grau de independência financeira que esta manterá de seu acionista público''.

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