Sanepar aplica tarifaço na conta de água
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Vânia Casado<br> De Curitiba 
A Sanepar vai reajustar as tarifas de água e esgoto em duas parcelas. O primeiro reajuste, de 12,8%, vai vigorar a partir de 1º de dezembro. O reajuste será complementado em março, com um índice complementar de 5,8%. As duas parcelas resultam num índice de 19,34%, que representa um tarifaço na avaliação de Cid Cordeiro, supervisor do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
De acordo com o Dieese, a Sanepar está aplicando um índice que repõe a inflação dos últimos 12 meses, avaliada em 9,5% e embute um aumento real de 9%. A Sanepar alega que esses percentuais (em duas parcelas) são indispensáveis para fazer frente aos investimentos necessários para manter a qualidade dos serviços e ampliar a crescente demanda para instalação de novas redes.
Ainda de acordo com a Sanepar, a arrecadação do pagamento das contas de água constitui a única fonte de receita da empresa, porque não existem mais linhas de crédito para financiar novas obras do setor de saneamento. Além disso, outros fatores contribuíram para o aumento dos custos internos como o aumento da taxa de juros e a elevação do dólar, que causam impacto nos empréstimos já realizados. Por causa desses custos, as despesas financeiras da empresa subiram 87,25%.
Para Cordeiro, tarifa não deve ser paga pelo usuário para remunerar investimentos da empresa. O usuário só deve pagar o custo do serviço. ''Se for para financiar investimentos, a Sanepar tem que dar uma contrapartida em forma de ações ou debêntures'', observou. Se não for assim, o usuário estará pagando um investimento que deveria ser feito por uma empresa da qual não é sócio. ''Quem vai se apropriar desses investimentos, pagos com o dinheiro do usuário, serão os acionistas da Sanepar, que terão o retorno na forma de dividendos'', lembrou.
O governo estadual ainda é majoritário na composição societária da Sanepar, controlando 60% das ações. Outros 39,7% das ações foram adquiridos pelo consórcio Dominó Holding, composto pelas empresas Andrade Gutierrez, Grupo Vivendi (grupo francês), Copel e Banco Oportunity.
A Sanepar alega que os reajustes promovidos na conta de água são inferiores à inflação. Diz a empresa que enquanto o Indíce Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registra variação de 219,36%, desde a implantação do Plano Real em 1994, o aumento das tarifas da Sanepar acumulado no período é de 144,08%, já incluído o reajuste que entra em vigor em 1º de dezembro.
O Dieese contesta essa informação. No cálculo de Cordeiro o IGP-M acumula um índice de 136,55% durante o Plano Real. O que pode ter acontecido no cálculo da Sanepar é que os técnicos computaram a inflação ocorrida em julho de 1994, quando a moeda anterior era cruzeiro-real e não em real. Na época essa inflação não foi repassada nem para os contratos, nem para os salários, informa Cordeiro.
Por fim, o coordenador do Dieese, Ivo Luska, lembra que no ano passado (2000) a Sanepar registrou o maior resultado líquido de sua história, no valor de R$ 136,5 milhões. O resultado líquido ficou 130% acima do resultado de 1999.


