Saneamento do Banestado vai ao Senado
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaSem bloqueioO secretário Gionedis não acredita em empecilhos para a aprovar o contrato O governo do Estado está prestes a enfrentar mais uma batalha com os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). O contrato com o Banco Central para quitar a dívida de R$ 1,78 bilhão do banco estadual será assinado entre quarta e quinta-feira da próxima semana e, em seguida, enviado ao Senado. A data foi definida numa reunião, anteontem à noite, entre o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e o diretor do Departamento de Renegociação da Dívida dos Estados, Paulo Zavhen.
O Banco Central tem até o dia 31 para assinar a renegociação das dívidas dos Estados. Santa Catarina e Rio Grande do Sul também devem fechar o acordo entre os dias 16 e 20. Assim que fechar a negociação, o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, precisará ter a aprovação dos senadores para poder liberar o dinheiro.
O secretário da Fazenda não acredita que possa haver qualquer tentativa de bloqueio por parte dos senadores. Requião e Osmar Dias são apenas dois (senadores) no meio de todo o plenário, afirmou ontem o secretário, que permanecia em Brasília. Ele disse que a aprovação é vontade do governo federal e por isso não haverá empecilhos.
O senador Osmar Dias já sinaliza que pretende se dedicar ao assunto do Banestado. Estou encaminhando um requerimento ao Banco Central pedindo informações mais detalhadas sobre a situação do banco, afirmou. Baseado na resposta do Banco Central, o senador pretende estudar a matéria a fundo. Dias classifica de desastrosa a administração financeira da equipe econômica do governo no Banestado. O senador Roberto Requião (PMDB) também deixou claro que não concorda com a situação do Banestado. Destruíram o banco e agora querem achar uma maneira de recuperá-lo, afirmou.
O saneamento do Banestado representa uma injeção de R$ 693 milhões em títulos públicos por parte do Banco Central. Outros R$ 400 milhões serão financiados por um período de 30 anos. O secretário Giovani Gionédis disse ontem que o Estado começa a pagar o empréstimo a partir do primeiro mês em que o dinheiro for liberado. Os juros são de 6% ao ano. O governo do Estado se compromete a assumir R$ 693 milhões da dívida.
Gionédis informou que o Banco Central pretendia incluir os R$ 400 milhões no programa de saneamento do Estado, enquanto a Secretaria de Fazenda queria que a dívida fosse renegociada por meio do processo de ajuste fiscal, que garante um financiamento de 100% da dívida. Prevaleceu a proposta do governo do Estado.


