O governo transformou a solução técnica para um dos maiores problemas financeiros do País – a operação de mais de R$ 80 bilhões para salvar os bancos federais – em mais um sinal de sobrevivência política, o terceiro esta semana. O porta-voz dessa vez foi o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que não poupou elogios ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, críticas à oposição e recados à rebelde base de apoio do governo.
‘‘O governo FHC não deixará de governar. As medidas (para o saneamento dos bancos federais) são expressões dessa decisão, assim como o são as medidas para superar a crise de energia, que vamos superar. O governo não está de forma alguma paralisado ou com seu horizonte de tempo reduzido’’, disse o ministro, atribuindo a percepção de que o governo chegou ao fim à interpretação de ‘‘alguns arraiais’’.
O custo da operação de saneamento do Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Nordeste (BNB) e Banco da Amazônia (Basa) será de R$ 12,1 bilhões num primeiro momento, o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse valor, entretanto, aumentará com o tempo. Isso porque o Tesouro Nacional estará pagando mais juros sobre os títulos que entregará aos bancos federais do que sobre aqueles que hoje estão em poder dessas instituições e que serão trocados.
O esforço do governo em mostrar trabalho e agilidade começou com o anúncio das medidas para resolver o problema da seca e para estancar a alta do dólar e só estará completo na próxima semana com o envio de um pacote tributário ao Congresso. O cardápio incluirá a prorrogação da CPMF, a desoneração das exportações, a unificação da legislação do ICMS, o esforço para votação da emenda constitucional que cria o tributo sobre petróleo, que regulamenta o sistema financeiro e a votação da Lei das Sociedades Anônimas. A solução para os bancos federais era uma exigência da legislação brasileira e do Banco Central.
Na avaliação do ministro, o processo de saneamento do sistema financeiro já passou pelo setor privado, com o Proer, pelos bancos estaduais, que também tiveram financiamento do governo federal para serem privatizados, e agora será completado com os bancos públicos federais. O ministro descartou categoricamente que as medidas tenham o objetivo de preparar os bancos para a privatização e atribuiu essa interpretação a pessoas com interesses de natureza política.
As mudanças na atuação dos bancos federais não estarão encerradas com o salvamento dessas instituições. De acordo com o ministro Pedro Malan, o processo de reestruturação vai continuar, num processo que envolverá mais discussão com a sociedade.

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