Cambé - Até o final de 2010, mais de 20 medicamentos considerados blockbusters - pela popularidade e pela alta utilização - como o Viagra e o Lipitor, vão perder a patente. E é nesse nicho que aposta a Sandoz do Brasil, divisão de medicamentos genéricos da Novartis, para ampliar sua cartela de produtos e a participação no mercado de genéricos. A expectativa é aumentar o faturamento em 30% e saltar da atual quinta posição para figurar entre os três principais laboratórios de medicamentos genéricos do Brasil.
Para ser o primeiro laboratório a lançar um produto assim que ele perde a patente, aponta o diretor de operações técnicas da Sandoz, José Luis Martins Lopes, o planejamento deve começar no mínimo dois anos antes. Isto porque, apesar de ser genérico, é preciso desenvolver o produto, com testes de bioequivalência e equivalência farmacêutica.
''O que se conhece é a molécula que tem determinada ação farmacêutica, mas não a composição exata do produto, por isso é preciso pesquisar para desenvolver o genérico. Além disso, este deve ser submetido a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)'', explica a farmacêutica Florência Goltara Duarte, gerente da Unidade de Qualidade da Sandoz. Só essa aprovação, segundo Lopes, pode levar de seis a 12 meses.
A lei no Brasil que regulamenta o setor, em vigor há 10 anos, exige que o genérico tenha as mesmas características do medicamento de referência, os mesmos efeitos e a mesma forma de ação no organismo, que não tenha nome comercial e que o custo seja, no mínimo, 35% menor.
''Por lei, só os genéricos são intercambiáveis, o que significa que podem ser trocados sem que o paciente perca nessa substituição'', ressalta Florência. Ela explica que as exigências de estudos são as mesmas para os genéricos e similares, mas no caso dos similares os testes de bioequivalência são frente a um medicamento de referência nacional que nem sempre é o originador. Uma característica que só existe no mercado brasileiro, segundo Lopes, é a existência do genérico de marca, que abre a possibilidade da empresa que o produz oferecer doses diferentes do medicamento original.
O Viagra, medicamento utilizado para tratamento da disfunção erétil, deve ter seu genérico a partir de 2011. Já, o Lipitor, do grupo das vastitinas, substância utilizada para tratamento do colesterol, deve estar disponível já no próximo ano. Hoje, ambos são campeões de venda do laboratório Pfizer.
O mercado de genéricos, segundo Lopes, é um dos que mais cresce no Brasil. No ano passado, a Sandoz do Brasil teve um faturamento de US$ 7,6 bilhões para uma produção de 1,1 bilhão de comprimidos, 61 milhões de blisteres e 48 milhões de unidades embaladas. Com matriz em Cambé - inaugurada em 2004 como Hexal e comprada em 2005 pela Novartis -, a empresa tem foco no mercado brasileiro com produção de orais sólidos e hormônios, mas também exporta para Canadá, América Latina e Europa. ''No ano passado foram investidos US$ 10 milhões para expansão da capacidade de produção. Este ano, com a ampliação da área hormonal, a previsão é de US$ 6 milhões em investimentos''.
* A jornalista visitou a Sandoz a convite da empresa

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