Sancor tem interesse na Centralpar
Vânia Casado
De Curitiba
A Sancor, maior cooperativa e indústria de laticínios da Argentina, está interessada em comprar a Centralpar, indústria de laticínios que recebe a produção da CLAC (Cooperativa de Laticínios de Curitiba) e da Witmarsun, cooperativa agropecuária de Palmeira. A diretoria da Centralpar não confirma a informação, mas o assunto foi ventilado pelo gerente internacional da empresa, Jorge Bachot, durante encontro do 9º Seminário Internacional Pensa de Agribusiness, que está ocorrendo no município de São Pedro, em São Paulo.
Sabe-se que representantes da Sancor já fizeram várias visitas às instalações da Centralpar, na Cidade Industrial de Curitiba. Espera-se uma conclusão das negociações para o final do ano. A intenção da Sancor é fazer uma joint-venture com uma empresa da região Sul e os participantes do encontro afirmaram que a empresa é a Centralpar, segundo informações do informativo Agrocast, da agência Estado. A Centralpar entrou em dificuldades financeiras após o investimento de US$ 3,2 milhões que as cooperativas Clac e Witmarsum fizeram nas instalações da indústria.
As cooperativas apostavam no crescimento do mercado de laticínios no país, movimento constatado logo após a deflagração do Plano Real, mas em seguida o setor passou por situações difíceis com a abertura de importações de leite do Mercosul e de outros países, sem qualquer medida de preservação à produção nacional. A situação financeira das indústrias de laticínios no país se agravou após a prática de triangulação do leite, que consolidou a prática de dumping. Com isso, o leite importado da Austrália e Nova Zelândia, subsidiado nesses países, entrou no Brasil, através dos países do Mercosul.
A partir daí ficou difícil a concorrência no segmento de lácteos tanto para produtores como para indústrias. A Centralpar que projetou suas instalações industriais para receber 600 mil litros de leite por dia, está operando com apenas 33% de sua capacidade. Atualmente recebe 200 mil litros de leite por dia. Muitos produtores deixaram a atividade em função dos baixos preços pagos que não cobriam nem os custos de produção. A indústria por sua vez, não conseguia melhorar o preço em função da concorrência internacional. Depois de muitas dificuldades, a Centralpar recebeu no ano passado R$ 3 milhões em recursos do Fundo De Desenvolvimento do Estado (FDE), aplicados para capital de giro.
O objetivo da Sancor ao se instalar no Brasil é ampliar as vendas aqui no país. A decisão pode ser acelerada se a empresa continuar com dificuldades em obter guias de exportação de laticínios para o país, que está ocorrendo desde a semanda passada. A Sancor já mantém uma distribuição no Brasil há 14 anos que comercializa leite em pó, leite longa vida e queijos. Agora pretende trazer mais 45 produtos e expandir sua atuação para a região Sul.
A Sancor reúne a maior cooperativa central de produção e industrial da Argentina. Recebe anualmente 1,7 milhão de litros de leite de 3.750 produtores. Com sede na província de Santa Fé, a Sancor é uma central resultante de 94 cooperativas de associados. Possui 21 unidades industriais, com capacidade para receber até 5 milhões de litros por dia. O faturamento estimado é de US$ 800 milhões por ano, sendo US$ 60 milhões obtidos só com a distribuidora brasileira.
A vinda de mais uma gigante do ramo de laticínios ao Paraná acirra a concorrência no setor. Em 98 foi a vinda da Parmalat que comprou a indústria Batavo, mantida pelas cooperativas de produção Batavo, em Carambeí, de Arapoti e de Castro. Recentemente a indústria de queijos especiais Schreiber, principal fornecedora da rede mundial Mac Donalds, assinou protocolo de intenções para se instalar em Rio Azul, região Sul do Paraná. E no início dessa semana, a Lacta assinou protocolo para instalar a indústria de chocolates também na Cidade Industrial, em Curitiba, que deverá consumir 60% da produção de leite em pó do estado.
A Centralpar surgiu em 1995, com a parceria das cooperativas Clac e Witmarsum. Na época investiram US$ 3,2 milhões, somente na compra do terreno e instalações. Até agora as duas cooperativas já investiram R$ 20 milhões na compra de equipamentos e reestruturação. A empresa recebe hoje mais de 100 milhões de litros de leite por ano, fornecidos por 1.167 produtores, e é uma garantia da compra de leite de 2.500 famílias. A empresa comercializa os produtos com a marca Clac, Cancela e Novo Dia e gera mais de 1.000 empregos diretos em 48 municípios do Paraná.





