Salsicha tem sal de mais e qualidade de menos
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sexta-feira, 16 de julho de 2004
Marcia Furlan<br> Agência Estado 
São Paulo - As salsichas frescas vendidas a granel ou embaladas pela indústria apresentam quantidade elevada de sal e recebem adição de fosfato. Os balcões refrigerados em que ficam expostas apresentam temperaturas acima do recomendado e a rotulagem dos produtos a granel tem falhas. Estes são os principais resultados dos testes realizados pelo instituto Pro Teste, entidade sem fins lucrativos voltada à defesa do consumidor.
A instituição analisou dez tipos de salsichas (oito mistas tipo ''hot dog'' e duas de frango) de quatro marcas diferentes, em seis redes de supermercados da capital paulista. Foram avaliadas a rotulagem, a composição dos alimentos, os aditivos, a presença de coliformes fecais ou salmonela e o sabor.
Embora o limite ideal de temperatura seja de 4ºC (acima disso pode propiciar o desenvolvimento de bactérias patogênicas), todos os produtos avaliados pelo Pro Teste se encontravam, no momento da compra, acima dos 4º C nos supermercados.
Os rótulos das salsichas vendidas a granel, por sua vez, não apresentavam todas as informações necessárias ou eram pouco claros. Apenas um, por exemplo, informava que, após aberto, o produto deve ser mantido sob refrigeração e consumido em no máximo cinco dias.
A quantidade de gordura foi considerada aceitável. Entretanto, encontrou-se muito tecido cartilaginoso nos alimentos, comprometendo a qualidade da proteína. Quanto ao porcentual da água, que precisa estar na medida certa para garantir a viscosidade sem elevar o peso do produto, estava em valores razoáveis. A higiene das salsichas também ficou dentro dos parâmetros normais.
Com relação ao sal, ingrediente que ajuda na conservação do produto, as quantidades estavam elevadas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que o consumo humano diário seja limitado a 6 gramas e as salsichas analisadas apresentavam em média 2,7% de sal. Isso significa que três salsichas (200 gramas) já representam o valor total diário recomendado. Todas as marcas, por isso, receberam o pior conceito neste quesito.
Os percentuais de fosfato também ficaram acima do limite. Embora permitido por lei, o uso desse aditivo é dispensável e enganoso na avaliação da Pro Teste, pois retém água de forma artificial, sem benefício ao consumidor.
Todas as salsichas analisadas apresentavam fosfatos adicionados; por isso o resultado final foi ''ruim'' para todas. Três marcas não passaram no teste da quantidade de nitritos e uma foi condenada por causa do nitrato. Os dois ingredientes são usados para conservação do produto, mas podem fazer mal à saúde caso consumidos em excesso.
No exame de degustação, entretanto, todas foram aprovadas, mostrando que o brasileiro está acostumado a salsichas mais salgadas. As embaladas na fábrica foram as que receberam as melhores avaliações. Todas as outras receberam o conceito ''bom''. Com relação ao preço, as vendidas a granel são mais baratas.
Além das salsichas, a Pro Teste realizou testes com minifornos elétricos, extensões elétricas, bebidas energéticas, saladas prontas, máquinas de lavar roupa, cafeteiras e fraldas. Os resultados estão disponíveis no site da entidade.


