O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, afirmou ontem que o Paraná deverá ter ganhos caso se confirme ao longo desta semana a decisão do governo federal de não intervir mais no mercado do dólar, suspendendo as bandas cambiais. Segundo o secretário, o setor agrícola e a indústria paranaense poderão se beneficiar com a possibilidade de ganhar mais nas exportações, que se tornaram mais vantajosas após a desvalorização do real frente ao dólar.
Entre os produtores que poderiam aumentar suas margens de lucro com a mudança na política cambial estão, principalmente, os de soja e milho. A previsão para este ano é de colheita de uma safra recorde de grãos, que pode chegar a 15 milhões de toneladas. Já os produtores de trigo encontrarão mais mercado nacional, pois o produto importado da Argentina vai chegar no País mais caro por causa da mudança na moeda.
O secretário alertou, no entanto, para a necessidade de o governo federal implementar o ajuste fiscal e promover aos poucos a redução das taxas de juros. Ele ressaltou que manter o câmbio flutuante é uma estratégia que só dará certo se o houver estas medidas. Além disto, Salomão citou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os bancos estrangeiros têm de dar sustentação e apoio às medidas adotas pelo Brasil. ‘‘É decisivo concluir o ajuste, equilibrar as contas públicas e restaurar a confiança no País’’, afirmou.
Salomão disse ainda que o momento é de cautela e não há razão para euforia, pois a economia nacional passará por uma série de desafios nas próximas semanas. Entre as mudanças, o secretário prevê que haverá maior competitividade entre a indústria nacional e os produtos importados.
Por causa da produção agrícola, o Paraná é um Estado que exporta quase o dobro em relação às importações. ‘‘Com a desvalorização do real, as empresas vão se sentir estimuladas a exportar em dólar’’, disse o secretário.
O Paraná acaba sendo favorecido também nos empréstimos externos aprovados no ano passado. Com a valorização do dólar, o Estado receberá mais reais na liberação dos recursos. No caso da dívida do Estado, a maior parcela de R$ 1,6 milhão não sofrerá impacto com a desvalorização cambial, pois não está atrelada ao dólar. Parte da dívida, R$ 750 milhões, foi contratada em dólar com o Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento. O secretário do Planejamento estimou ainda que haverá aumento no recolhimento de impostos como o IPVA e ICMS.

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