Salomão defende o fim do BRDE
Salomão defende o fim do BRDE
O secretário da Fazenda, Miguel Salomão, defendeu ontem a extinção do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para a criação de uma única agência de fomento. A proposta para o desmembramento tem sido incentivada pelo governo do Rio Grande do Sul e começa a ganhar a simpatia do governo paranaense.
A decisão de acabar ou de manter o banco será tomada na próxima reunião dos governadores que compõem o Conselho de Desenvolvimento do Sul (Codesul). O encontro deverá acontecer no dia 16 de maio, em Porto Alegre.
Por enquanto, o governador Jaime Lerner não se manifestou sobre a intenção de acabar com o BRDE, ao contrário do governador gaúcho Antonio Brito (PMDB), que tem pregado o fim da instituição. Mas se Lerner seguir a orientação de seu secretário da Fazenda, determinará o encerramento do banco. Não faz sentido manter uma instituição cara, cujo patrimônio vai sendo consumido pelo processo de funcionamento, e não criar uma nova agência valendo-se de uma linha de financiamento do governo federal, que colocaria no Estado R$ 500 milhões de reais.
Se o Estado conseguir aprovar a proposta de criar a agência de fomento, o Banco Central repassará ao governo uma linha de financiamento de R$ 500 milhões. O dinheiro faz parte do Programa de Reestruturação dos Bancos Estaduais (Proes), que tem validade até o final de junho.
Salomão disse que a estrutura do BRDE tem consumido o patrimônio da instituição como revela o balanço do ano passado. O balanço, publicado na quarta-feira, mostra que a despesa com pessoal cresceu 40% em um ano. O resultado do banco mostra um lucro líquido de R$ 32 milhões.
Paraná e Santa Catarina tiveram prejuízos de R$ 16 milhões e R$ 6 milhões, respectivamente, segundo dados da Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Sul. No Sul do País, este foi o único Estado que fechou o balanço do ano passado com resultado positivo: R$ 54 milhões.
O projeto que cria a agência está na Comissão de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa. A matéria prevê a fusão da carteira de fomento do Banestado, do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE), da massa liquidante do Badep e do BRDE.
Mas se por um lado o secretário da Fazenda faz pressão para extinguir o BRDE, a diretoria do banco tenta convencer o governo que a instituição representa desenvolvimento para o Estado. O vice-presidente e diretor financeiro do banco, Fernando Fontana, tem se posicionado junto ao governo e aos deputados estaduais defendendo a proposta de que o banco seja mantido.(Carmem Murara)





