Saldo positivo é gerado com o sacrifício social
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sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O cumprimento das metas estabelecidas pelo FMI para o Brasil pode recuperar o prestígio internacional do País, mas nem sempre significa a retomada das atividades econômicas e industriais. Segundo o economista e presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Francisco de Assis Simões, a paralisação de investimentos em infra-estrutura e aumento da carga tributária geralmente são os recursos mais utilizados para a a geração de superávit, que pode ser utilizado somente como reserva para eventuais pagamentos de parcelas da dívida externa e para controle de câmbio.
Ter superado as metas propostas pelo FMI relativas ao superávit com relativa folga garante ao Brasil a possibilidade de retirada da última parcela do empréstimo de US$ 30 bilhões disponibilizado pelo Fundo. No entanto, Simões destaca o aumento de até 167% no Imposto de Renda para pessoas jurídicas este ano. Ao mesmo tempo, a paralisação dos investimentos em obras, por exemplo, ajuda na poupança porque os gastos são diminuídos.
Na opinião do economista, o sacrifício na contenção de despesas, na verdade, é realizado pela população: ''Qualquer aumento de tributação ou mesmo a falta de investimentos sociais são sentidos pelo povo, que é quem paga a conta de verdade.''
O crescimento 'para fora', com incentivo às exportações, também é criticado pelo economista. ''Países desenvolvidos exportam somente o excedente de produção. No Brasil, quase tudo é exportado, comprometendo a demanda interna e gerando alta de preços''.


