Saldo de poupanças cai pelo 3º mês seguido
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Agência Folha 
Brasília O saldo das aplicações em poupança realizadas no País caiu pelo terceiro mês consecutivo e, de acordo com números divulgados ontem pelo Banco Central, atingiu R$ 137,296 bilhões em abril. No mês anterior, o saldo era de R$ 138,215 bilhões.
A queda no saldo é resultado de saques maiores que os depósitos, ou seja, de captações líquidas negativas (R$ 2,196 bilhões em abril e R$ 7,182 bilhões no quatro primeiros meses do ano). Esse movimento vem sendo provocado por um rendimento cada vez menos atraente para o investidor, diante dos juros elevados e da maior pressão inflacionária dos últimos meses. Segundo os dados do BC, há sete meses as retiradas superam os depósitos da aplicação.
Em alguns períodos, no entanto, o saldo não apresentou queda porque os rendimentos creditados foram suficientes para, junto com os depósitos, cobrirem os saques realizados. Parte dos recursos que deixaram as cadernetas de poupança foi transferida para aplicações em fundos de investimento, que têm oferecido taxas melhores.
Enquanto a poupança tem proporcionado rendimento médio próximo a 1% ao mês, os fundos DI têm oferecido, em média, 1,87% ao mês, segundo dados da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). O movimento que ocorre agora é o inverso do que foi registrado de junho a agosto de 2002, quando os depósitos superaram os saques entre R$ 5,2 bilhões e R$ 3,9 bilhões por mês.
Naquele período, os recursos migraram dos fundos de investimento para a poupança em razão de algumas mudanças de regras dos fundos, principalmente, da chamada marcação a mercado. Desde 31 de maio de 2002, os ativos dos fundos passaram a ser registrados pelo valor de mercado e não mais pelo valor de compra. Isso provocou perda de rendimento em alguns casos e os aplicadores buscaram a poupança como alternativa de investimento.
Detentora de 30% dos recursos aplicados em poupança no país, a CEF (Caixa Econômica Federal) também tem registrado captações negativas nos últimos meses. O movimento observado atualmente na CEF reflete a volta dos recursos para os fundos de investimento, além da sazonalidade do período. No início do ano, por exemplo, muitos poupadores sacam de suas contas para pagar as despesas com a compra de materiais escolares.
O Banco do Brasil, ao contrário, não tem registrado movimentos expressivos de saque. Segundo Irvando Hoff, gerente-executivo da diretoria de Varejo, entre fevereiro e março houve uma pequena redução no saldo de poupança, mas que foi recuperado em abril.


