Saldo de empregos volta a cair em abril em Londrina
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
Londrina teve redução de 760 postos de trabalho em abril ante março, puxado principalmente pelas baixas em serviços (-569), construção civil (-174) e indústria da transformação (-142), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O desaquecimento do País, que registrou a maior queda (-97,8 mil vagas) para o mês desde o início da série histórica do órgão em 1992, aparece como principal motivo. No Paraná, a diminuição nos postos de trabalho chegou a 2 mil.
Por outro lado, Londrina ainda está com o saldo positivo em 2,9 mil vagas no ano, devido ao bom desempenho durante o primeiro trimestre. O secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, Márcio José Gomes Corrêa, afirma que o resultado de abril já era esperado devido ao cenário nacional. "Mas é importante ressaltar que Londrina ainda está na primeira colocação do Estado na geração de empregos neste ano, bem à frente do segundo colocado (Maringá, com 2,1 mil)", diz. A maioria das vagas criadas localmente foi em serviços, principalmente em telemarketing.
No Estado, as sedes das regiões metropolitanas têm sofrido mais com a crise, afirma o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Isso porque a indústria da transformação (-2,8 mil) e a construção civil (-632) foram os setores com maior peso nos números de emprego em abril, com maior representatividade na Capital ou em grandes centros urbanos. "Regiões que produzem itens com maior valor unitário, como veículos, eletrodomésticos da linha branca ou móveis, são mais atingidas do que cidades pequenas, que vivem do agronegócio, já que alimentos são os últimos que podem ser cortados", diz Zurcher.
Do mesmo modo que ocorre em Londrina, o Paraná continua com resultado positivo de 24,1 mil vagas no ano, apesar da queda em abril. O diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, afirma que a vocação para o agronegócio permite que a região sinta menos a crise do que o restante do País. "A indústria de alimentos e a agropecuária sempre mostram uma capacidade maior de recuperação."
Suzuki lembra ainda que, entre os estados do Sul e do Sudeste, o Paraná teve a segunda menor perda de vagas, atrás apenas do Espírito Santo (-1.273). "Essa queda quase generalizada demonstra que o desaquecimento econômico é nacional."
Dos oito segmentos econômicos, o País não enfrentou baixa em abril apenas no setor agropecuário, que criou 8,4 mil vagas. Ainda, apenas cinco estados ficaram com resultado positivo no mês, com destaque para Goiás (2,2 mil) e Distrito Federal (1 mil).
Após a alta nacional de 19 mil vagas do País em março, o economista da Fiep afirma que o mercado analisou que não houve recuperação econômica e, por isso, o desempenho no mês foi tão negativo. "Depois do fim do ano, é em março que a atividade começa a melhorar e isso não ocorreu como deveria, então começaram os cortes mais profundos", conta Zurcher. Ele cita apenas a indústria madeireira e de papel, que não contam com insumos importados, como as que se recuperaram mais rapidamente, devido à alta na cotação do dólar. "Mas ainda vendem bem menos do que poderiam."
Para o presidente do Ipardes, o País precisa aprovar ajustes macroeconômicos para diminuir o período de prejuízos. "O processo se prolonga por questões políticas e o mercado de trabalho só deve reagir no segundo semestre", diz Suzuki.


