O saldo entre depósitos e saques na caderneta de poupança fechou junho em R$ 3,223 bilhões, valor 65,89% menor do que os R$ 9,451 bilhões do mesmo mês de 2013, segundo divulgado ontem pelo Banco Central (BC). Uma das causas foi a elevação da taxa básica de juros, a Selic, que já esteve em 7,25% e hoje é de 11%, o que deixou a rentabilidade da poupança menor do que da maioria das aplicações de renda fixa. A outra é a alta inflação, que corrói a renda do trabalhador e a capacidade de economizar.
No acumulado de janeiro a junho deste ano, o saldo está em R$ 9,614 bilhões, 65,99% a menos do que os R$ 28,273 bilhões do mesmo período do ano passado. O valor para os seis primeiros meses deste ano, por pouco, é superior ao economizado apenas em junho de 2013, quando os R$ 9,451 bilhões representaram o recorde para o período desde o início da série histórica, em 1995.
Professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski afirma que a representatividade da taxa de poupança do País em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) está em queda nos últimos anos. "Em 2013, foi de 13,90%, a mais baixa desde 2001", diz o economista, que faz o acompanhamento do indicador. Ele cita que o índice era 18,80% em 2008 e que o resultado diminui a capacidade de investimentos do País.
Entretanto, considera que a elevação da taxa Selic fez com que houvesse uma migração da poupança para as aplicações de renda fixa. Com os juros abaixo de 8%, a caderneta era mais rentável do que o CDB, por exemplo, que cobra taxa de administração e sobre o qual incide desconto no Imposto de Renda (IR). "Fica mais vantajoso partir para outros tipos de investimentos, em especial o Tesouro Direto", afirma o professor de economia Joílson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Outra questão que interfere no saldo da poupança é a inflação, próxima ao teto da meta estipulado pelo BC, de 6,50%. "A inflação maior faz cair o poder de compra e derruba a capacidade de poupar", diz Staviski. Dias completa que, com o índice no patamar em que está, a remuneração da poupança funciona quase como uma atualização monetária, com retorno máximo 1% sobre a alta dos preços.
O professor da UEL também lembra que a Copa do Mundo é um período em que as pessoas gastam mais, mesmo que não viajem para os jogos. Ainda, lembra que os juros para pagamento parcelados de ajustes do IR estão mais altos do que a poupança, o que pode fazer com que contribuintes resgatem o dinheiro para quitar a dívida com o Fisco.

Mais números
Os depósitos em junho somaram R$ 130,630 bilhões no País, com R$ 127,406 bilhões em saques. Com o resultado, que inclui R$ 3,420 bilhões de rendimentos creditados, o saldo total da poupança chegou a R$ 626,970 bilhões, ante R$ 620,326 bilhões em maio.

Imagem ilustrativa da imagem Saldo da poupança é 65% menor em junho