Curitiba A valorização do real frente ao dólar incentivou as importações de insumos industriais e desestimulou as exportações de produtos agrícolas. Esse quadro provocou a queda de 0,23% no saldo da balança comercial paranaense do primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Conforme resultado divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o Paraná exportou US$ 4,72 bilhões contra US$ 4,73 bilhões, no mesmo período de 2004.
Enquanto a venda de produtos básicos, como a soja, recuou mais de US$ 600 milhões, a Petrobras e as montadoras intensificaram as importações de matéria prima para refino e insumos no primeiro semestre do ano, aproveitando as cotações do dólar barato.
No primeiro semestre deste ano, as importações paranaenses cresceram 32,46%, alcançando a marca de US$ 2,4 bilhões, contra US$ 1,8 bilhão no mesmo período do ano passado. Segundo a Fiep, a Petrobras foi campeã das importações com as compras de óleo bruto de petróleo. As compras internacionais do produto subiram de US$ 113 milhões, em 2004, para US$ 405 milhões.
A importação de insumos para o setor automotivo subiu de US$ 74 milhões em 2004 para US$ 183 milhões este ano. As montadoras que importaram US$ 13 milhões em motores no primeiro semestre de 2004, este ano importaram US$ 60 milhões em motores. As importações de caixas de marchas para veículos aumentaram de US$ 32 milhões para US$ 55 milhões. Até as importações de trigo saltaram de US$ 7 milhões para US$ 13 milhões no período analisado.
Em compensação, as exportações do setor industrial mantiveram-se em alta, ampliando as vendas em US$ 646 milhões, quase o equivalente a perda dos produtos básicos. O principal crescimento se deu no setor automotivo. Apenas no item de carros 1.0, as vendas acumuladas cresceram US$ 220 milhões, atingindo em junho a marca de US$ 228 milhões.
Ainda no segmento automotivo, cresceram US$ 44 milhões as vendas de automóveis 1.5, saindo de US$ 190 milhões para US$ 234 milhões. Também cresceram as vendas de motores 1.0 em US$ 29 milhões, bombas injetoras, em US$ 36 milhões, entre outros.
Outro crescimento expressivo foi da cadeia de frangos, que cresceu US$ 71 milhões no primeiro semestre. Foram vendidos US$ 222 milhões de miúdos e pedaços de frangos e US$ 158 milhões de frango congelado. Também do setor do agronegócio, cresceram as exportações de açúcar de cana bruto, subindo de US$ 46 milhões para US$ 86 milhões.
Somente nos itens farelo, bagaço e soja in natura, o Paraná deixou de ganhar mais de US$ 480 milhões. No primeiro semestre, as vendas de produtos básicos recuaram US$ 657 milhões, baixando de US$ 2,26 bilhões para US$ 1,6 bilhão. Segundo o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, as exportações continuam como opção para que o industrial mantenha a produção e garanta os empregos. E nos setores que operam com comoditties, não há opção para recuperar receita no mercado interno, que se encontra deprimido.

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