Brasília A balança comercial em agosto registrou saldo positivo de US$ 3,672 bilhões - um recorde para o mês - e cifras igualmente inéditas de exportações (US$ 11,3478 bilhões) e importações (US$ 7,676 bilhões). Conforme dados divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), esses resultados levaram o superávit acumulado no ano para US$ 28,348 bilhões. No período de 12 meses concluídos em agosto, a cifra foi ainda mais substancial - um saldo positivo recorde de US$ 40,108 bilhões.
Indicador da solidez das contas do comércio de bens do Brasil com o exterior, o resultado dos 12 meses concluídos em agosto estimulou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a destacar que esse desempenho favorável ocorre em um cenário de valorização cambial. Em dois eventos de que participou, no Itamaraty e no Palácio do Planalto, o presidente esmiuçou o resultado de agosto - em especial o fato de ter sido o quarto mês consecutivo de recorde das exportações e o primeiro em que as importações superaram o nível de US$ 7 bilhões.
Os dados da Secex mostram que, nos últimos 12 meses, as exportações atingiram US$ 111,206 bilhões, o equivalente a um aumento de 25,1% em relação ao período de setembro de 2003 a agosto de 2004. As importações somaram US$ 71,098 bilhões, com crescimento de 24% na mesma comparação. A corrente de comércio - soma dos embarques e desembarques - alcançou a cifra recorde de US$ 182,304 bilhões.
Segundo o secretário-interino de Comércio Exterior, Armando Meziat, esse saldo corresponde a cerca de 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e indica que, no final de 2005, o comércio do Brasil com o exterior deverá aproximar-se de 30% do PIB. Esses números levaram o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, a recomendar à Secex a revisão das metas para o ano, que eram de US$ 112 bilhões em exportações e superávit de US$ 38 bilhões - com as importações chegando a US$ 74 bilhões.
Nos primeiros oito meses de 2005, as exportações atingiram US$ 76,086 bilhões, com aumento de 24% em relação a igual período de 2004. A Secex verificou que a participação dos produtos manufaturados nesse total aumentou de 52,9% para 54,7%. A dos produtos básicos, em contrapartida, recuou de 31,6% para 29,6%. O setor manufatureiro teve aumento de 28,1% nos embarques, as semimanufaturas subiram 22,9%, e os básicos tiveram elevação de 15,9%. As importações chegaram a US$ 47,738 bilhões, com crescimento de 21%.

mockup