Brasília - Depois do superávit histórico de US$ 3,11 bilhões, registrado em maio, a balança comercial brasileira já começou junho com um saldo positivo de US$ 619 milhões nos primeiros quatro dias úteis do mês, apesar do aumento dos gastos com importações, principalmente de combustíveis e lubrificantes, produtos que estão mais caros com a alta do petróleo no mercado internacional.
Com esse resultado, o saldo acumulado no ano subiu para US$ 11,86 bilhões e já supera em US$ 3,33 bilhões o superávit de US$ 8,52 bilhões obtido no mesmo período de 2003, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O bom resultado de maio já havia levado os analistas do mercado financeiro a aumentar de US$ 26 bilhões para US$ 26,1 bilhões as estimativa do saldo comercial deste ano, segundo pesquisa do Banco Central, divulgada ontem.
Na primeira semana de junho, as exportações somaram US$ 1,65 bilhão e foram impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas de produtos básicos. A média diária das exportações, de US$ 414,5 milhões, ficou 41,1% acima da média de junho do ano passado. No caso dos básicos, a média cresceu 83%, com destaque para soja em grão, farelo de soja, carnes, petróleo, café e milho. Somente as exportações de produtos do chamado ''complexo soja'' tiveram um salto de 159,1% em relação a junho de 2003 e de 110,8% sobre maio deste ano.
Já as exportações de manufaturados cresceram 24,6% em relação a junho de 2003, com a média diária passando de US$ 152 milhões para US$ 189,4 milhões. Tratores, madeira compensada, laminados planos, máquinas e aparelhos para terraplanagem, móveis, autopeças, óleos combustíveis e aviões foram os produtos que registraram maiores aumentos. As exportações de produtos semimanufaturados subiram 17%, refletindo aumento nos embarques de óleo de soja em bruto, ligas de alumínio, couros, peles, madeira serrada e semimanufaturados de ferro e aço.
As importações também apresentaram crescimento. No total, foram US$ 1,039 bilhão nos primeiros quatro dias de junho. A média diária foi de US$ 259,8 milhões, com expansão de 47,5% sobre junho de 2003 e de 13,1% em relação a maio desse ano. O maior aumento foi nas compras de combustíveis e lubrificantes, que cresceram 166,9% em relação a junho do ano passado.
A média diária das compras desses produtos chegou a US$ 67,56 milhões na primeira semana desse mês, ante US$ 25,31 milhões em junho de 2003. Também houve ampliação dos gastos com as importações de adubos e fertilizantes (86,7%), equipamentos elétricos e eletrônicos (81%), instrumentos de ótica e precisão (53,6%), equipamentos mecânicos (17,4%), químicos (14,5%) e automóveis (12,9%).

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