Agência Estado
Do Rio
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que em 1999 os aumentos de custos de insumos e matérias-primas foram, em alguns casos, compensados pela queda do salário real pago aos trabalhadores. Graças a este artifício, parte da indústria conseguiu absorver a inflação no atacado sem repassá-la totalmente ao varejo.
Pelo acompanhamento dos Indicadores industriais, a entidade observou um recuo de 3,3% nos salários de janeiro a outubro de 99, em comparação com 98, já descontando o efeito da inflação.
A manutenção da folha de pagamentos em patamares mais baixos compensou em parte a relação dos custos, sem a necessidade de redução drástica das margens de lucro. A analista Simone Saisse Lopes, da Unidade de Relações do Trabalho da CNI, acredita que a continuidade dos ganhos de produtividade deve abrir espaço para aumento dos salários no futuro. Ela não vê, porém, possibilidade de retomada total das perdas este ano.
‘‘Há espaço para alguma recuperação, mas não uma volta já ao nível de 98’’, diz ela. A queda do ano passado fez com que os salários da indústria caíssem ao degrau de três anos atrás. Simone lembra, contudo, que o recuo nos rendimentos ocorreu em todos os setores, como demonstram os levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ‘‘No conjunto da economia, chegou a 5% o índice de queda’’, diz ela.
A CNI trabalha com uma expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% para este ano, índice abaixo dos 4% projetados pelo governo. Mas, ainda assim, aliado a uma taxa de inflação anual de 7%, isto poderá propiciar, segundo estimam os técnicos da entidade, uma geração de empregos acima de 1% (em 99 a taxa foi de apenas 0,3%), além de impedir mais achatamento salarial.

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