Salários devem continuar com aumento real
Os números apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), dando conta de que 86% dos acordos salariais firmados em 2006 apresentaram reajustes acima da inflação é um alento para a economia.
Mesmo a economia brasileira crescendo bem abaixo da média dos países em desenvolvimento, e tendo um dos menores índices de crescimento da América do Sul, a pesquisa do Dieese mostra que está havendo uma mudança importante no comportamento das empresas. E isso acaba refletindo no ganho do trabalhador. Segundo o Dieese, 70% das categorias verificadas conquistaram ganhos reais acima de 1%. Esta é uma boa notícia.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, esta conquista dos trabalhadores ocorre devido a uma nova forma do empresário gerir o negócio.
''Há alguns anos o setor mais importante de uma empresa era o departamento financeiro. Era ele quem praticamente comandava a empresa. Isso se devia ao caos que a inflação provocava no país. No governo Sarney a inflação chegou a 80% ao mês, por isto, sem um departamento financeiro forte e atuante, o risco de a empresa quebrar era muito grande. Hoje, com a estabilização econômica, o foco mudou. As empresas buscam produtividade e lucratividade. E é neste aspecto que o conhecido setor de Recursos Humanos, ou RH, passou a ter mais importância. Funcionários competentes produzem mais e geram mais lucratividade, portanto, precisam ser mantidos nas empresas'', explica Ribeiro.
Ribeiro afirma que as empresas estão fazendo o possível para manter os bons funcionários e isso, além dos treinamentos e cursos de aperfeiçoamento que são oferecidos, passa também pelo bolso. É por este motivo que os números do Dieese não surpreendem e devem melhorar ainda mais nos próximos anos.
''O ganho real é importante e deve continuar crescendo, pois o Brasil tem uma peculiaridade. Há um excesso de mão de obra no mercado, porém há falta de mão de obra qualificada. Uma empresa que esteja abrindo hoje, em qualquer lugar do Brasil e que necessite para contratação imediata de 50 funcionários qualificados para exercer qualquer função mais complexa, vai ter dificuldades na contratação'', diz Ribeiro.
O fato, admitido pelo próprio governo Lula, explica Ribeiro, é que o país investe pouco em educação básica e a superior, mesmo com a crescente onda de novas faculdades espalhadas por todo o país, não mostra ganhos de qualidade. ''Ou seja, mesmo com o canudo nas mãos, o profissional demora muito tempo para começar a dar retorno para o empregador''.
Percebendo isso, as empresas estão assumindo a função de dar educação e uma profissão para muitos trabalhadores, função esta que deveria ser do governo. Em Londrina diversas empresas e entidades mantém cursos profissionalizantes para qualificar a mão de obra. ''Nós aqui do Sescap-Ldr mantemos a Escola Oficina para fornecer pessoal qualificado para as empresas de serviços. Antes dela, nós recebíamos muitas reclamações de empresários que não conseguiam contratar funcionários com um mínimo de experiência. Estamos na quinta turma e a maioria dos que se formaram está empregada. E percebemos muitas empresas fazendo o mesmo''.
Fonte- Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)





