Salários devem cair 6,7% este ano, prevê Unicamp
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segunda-feira, 25 de janeiro de 1999
Liliana Pinheiro Agência Estado 
Com uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) estimada em 1,8% este ano, a massa salarial no Brasil deve cair 6,7%, o que vai atrasar ainda mais a recuperação da economia, ainda que a crise financeira internacional dê uma trégua para o real. Acordos de redução de salários, previsão de volta de inflação em índice superior a 6% ao ano e desemprego ajudam a complicar ainda mais este quadro. Segundo o professor de economia e pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, em 98 já houve um recuo de 4,8% na massa de salários.
O professor vê com preocupação o risco de aumento do desemprego, mas considera igualmente perigoso o movimento de empresas e sindicatos de negociar encolhimento dos ganhos dos empregados para suportar a crise. Do ponto de vista da dinâmica macroecômica, numa economia de mercado o efeito da redução salarial é quase tão perverso quando o do desemprego, diz. Há tendência de aprofundamento ainda maior da recessão.
A generalização da prática de reduzir salários para manter empregos tem um efeito social desejável num momento de crise no mercado de trabalho, lembrou Pochmann. Além disso, parece claro que a disposição de consumo de um empregado com salário reduzido é maior do que a de um desempregado.
Mas, assim mesmo, há problemas sérios. Pochmann lembra que no Brasil 40% dos sindicatos não têm capacidade de negociação, segundo levantamento do IBGE. E 60% das empresas também não, por serem micro ou pequenas.


