O principal efeito do Plano Real no mercado de trabalho foi sentido na remuneração dos trabalhadores. Dados do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, de julho de 94 a fevereiro de 97, o crescimento médio real do salário, descontada a inflação pelo INPC (Indice Nacional de Preços ao Consumidor), foi de 30,2%.
O maior aumento foi dos trabalhadores do setor informal. Dados mais recentes, de julho de 94 a março deste ano, indicam que os salários dos autônomos tiveram crescimento real de 52,17%. Nesse período, o crescimento da remuneração dos trabalhadores sem carteira assinada foi menor, 36,46%.
Para os trabalhadores do setor formal, o aumento real foi mais modesto, 21,79%. O assessor especial do Ministério do Trabalho, Jorge Jatobá, disse que o impacto foi maior para o setor informal porque os preços dos produtos deste segmento não sofrem concorrência internacional. Isso é, os preços dos serviços - como, por exemplo, restaurante, médicos, carpintaria e cabeleireiro - tiveram aumentos maiores e por causa disso, os trabalhadores desse setor também tiveram uma remuneração melhor. Já os empregos formais, principalmente no setor industrial, sofreram com a abertura e estabilização.
Como as empresas tiveram que cortar gastos e reduzir custos por causa da concorrência interna e externa, os empregados tiveram um aumento salarial menor. No segundo ano do Plano Real, em 95, o governo mudou a política salarial e obrigou apenas o repasse obrigatório da inflação passada (conforme o IPC-r - Indice de Preços ao Consumidor no real).
Esse índice deixou de ser calculado a partir de julho de 95 e foi garantido aos trabalhadores apenas o pagamento da diferença do IPC-r entre o mês da data-base de 94 e o índice fixado em junho de 95. Com isso, os trabalhadores tiveram que negociar reajustes salariais diretamente com as empresas e sindicatos patronais. No caso do salário mínimo, houve também um aumento acima da inflação. O reajuste do mínimo foi de 85,21% e a inflação medida pelo IPC (Indice de Preços ao Consumidor) ficou em 64,61%.
Para o sócio-diretor da Trevisan consultores, Sérgio Amad Costa, a modificação mais sensível no mercado de trabalho foi a introdução da remuneração variável. É que em dezembro de 94 o governo editou a MP (medida provisória) que permite a distribuição de lucros e resultados para os empregados. Assim, a empresa pode pagar um salário melhor se a produtividade aumentar. Sobre o que foi distribuído, os empresários não pagam encargos trabalhistas e ainda podem classificar esse gasto, no Imposto de Renda, como despesa operacional. Segundo Sérgio Amad, as empresas começaram a trabalhar com essa remuneração variável porque ela não aumenta os custos e incentiva a elevação da produtividade.

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