Curitiba - As negociações dos pisos salariais realizadas em 2010 no Brasil tiveram o melhor resultado desde que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) começou a levantar os dados em 1996, ou seja, dos últimos 14 anos.
No ano passado, 94% dos pisos foram reajustados acima da inflação e 2% igual à inflação. A conta considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos 12 meses anteriores a cada reajuste. Mais da metade dos pisos tiveram aumento real de 2% a 6%, e 13% tiveram ganho real superior a 8%. Cerca de 4% ficaram abaixo do INPC.
O economista do Dieese, Sandro Silva, destacou que, apesar dos aumentos expressivos, um terço dos pisos no País ainda têm valor até R$ 550,00. E quase 51% dos pisos têm valor até R$ 600,00. ''Os pisos ainda são muito baixos'', disse.
De acordo com ele, os aumentos reais para a maior parte das categorias em 2010 foram possíveis graças ao bom momento que a economia estava vivendo e a questão pontual do mínimo regional no Paraná. No ano passado, o valor médio dos pisos no Brasil era de R$ 669,16.
A maior média foi registrada na região Sudeste (R$ 701,78), seguida do Sul (R$ 673,22). A menor média foi na região Norte (R$ 601,43). O melhor resultado de negociação foi com os trabalhadores rurais, categoria na qual 100% dos empregados tiveram aumento real. No entanto, foi o setor com os pisos mais baixos e média de R$ 577,53.
Quase 31% dos pisos são únicos para as categorias de trabalhadores, 47% são pisos por função e 20% pisos por tempo de serviço.
Ele acredita que a tendência para as negociações de 2011 é continuar com reajustes acima da inflação, mas pode ser que os aumentos reais sejam menores porque a economia está crescendo menos e a inflação ficou mais elevada. Em 2010, a média de inflação dos 12 meses foi de 4,92% e, em 2011, as projeções apontam para 6,70%.

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