O trabalhador brasileiro vai atravessar o ano de 1999 com rendimento nominal inferior ao do ano passado, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Até o mês passado, pelas projeções da entidade, ainda era apontada como plausível a possibilidade de a queda dos salários, provocada pelo desaquecimento do mercado, ser compensada pelas taxas negativas de inflação.
‘‘A redução dos salários na indústria automobilística é a face mais visível do efeito do desaquecimento’’, diz a economista Simone Lopes. A deflação, antes prevista para este ano, poderia preservar o valor aquisitivo dos salários, mas a desvalorização cambial, decretada esta semana, tornou nulo este resultado. ‘‘Com a mudança no câmbio, o impacto sobre a inflação será inevitável’’, conclui a economista.
Ela prevê uma subida razoável nos preços no atacado, em parte pelo aumento de custos, em parte pelo oportunismo de algumas empresas. O reflexo das medidas nos preços ao consumidor, no entanto, ficarão num nível bem mais abaixo. ‘‘O comércio precisa vender, os salários não vão aumentar, na melhor das hipóteses ficarão estagnados, e é improvável que haja repasse integral do aumento no atacado’’, afirma, considerando como mais possibilidade mais factível a redução na margem de lucro das empresas.

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