A definição de um novo salário mínimo é sempre polêmica e causa discussões acaloradas entre trabalhadores e patrões. Quando esse valor sai da esfera federal e chega à estadual, o debate intensifica-se, pois valores maiores devem corresponder a um proporcional desenvolvimento econômico.
Talvez, por essa dificuldade, poucos estados arrisquem-se a levantar a bandeira do mínimo diferenciado. Além do Paraná, apenas Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul contam com pisos regionais.
Economistas ouvidos pela Folha disseram que a medida pode contribuir para o aumento do desemprego no Paraná. Comércio e indústria afirmam que não haverá impacto nas vendas e na produção. O setor agrícola fala em agravamento da crise. Já o governo defende que a lei vai melhorar a economia.
Para o professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia, o piso dá resultados diferentes, dependendo da área. ''O novo valor, no entanto, provoca impacto muito forte no setor agrícola, que já passa por dificuldades.''
Sereia defende que a crise no setor, somada ao aumento do custo dos empregados, contribuirá para o desemprego no campo. ''Isso é preocupante, pois causa um efeito cascata. Quem fica sem trabalho na zona rural vem para a cidade em busca de emprego, aumentando o problema na área urbana.'' Além disso, continua o professor, considerando o aumento do desemprego na zona rural, setores do comércio e de serviços saem perdendo, pois significa menos dinheiro circulando no mercado.
E não é só na agricultura que postos de trabalho devem ser fechados. O professor afirma que as empregadas domésticas também foram afetadas pela medida (leia texto na página 3).
Caged Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados em maio, indicam que o saldo entre vagas de emprego abertas e fechadas no Paraná foi de 13.468. Isso quer dizer que mais pessoas foram contratadas do que demitidas. Mas o número de novos postos de trabalho fica abaixo do registrado em maio de 2005, quando o saldo do Caged foi de 15.674.
Em Londrina, no mesmo período, mais vagas foram fechadas do que abertas . Houve contratação de 4.966 pessoas, enquanto outras 5.276 foram dispensadas. O saldo ficou negativo (-310). A tendência é confirmada pelo gerente do Sine-Londrina, Mauro Viecili. ''Houve uma queda na oferta de vagas de emprego em junho, em relação a maio, de aproximadamente 30%.''
Para Vieceli, os empregadores estavam em dúvida sobre a nova lei. ''Deve haver uma adequação do mercado no segundo semestre. É um período em que historicamente mais vagas são abertas.''
O governo diz que não há vínculo entre a queda na oferta de novas vagas e a adoção do salário regional. Mas Vanderlei Sereia afirma existir essa relação. ''Isso não quer dizer que antes da medida não houvesse desemprego. O número de pessoas trabalhando na informalidade deve aumentar.''
O professor comenta que, para o empregado, a adoção de um mínimo diferenciado pelo Paraná é uma medida importante, mas o aumento do desemprego não parece ter sido levado em consideração.
Para Sereia, ''a adoção de um piso estadual neste ano dá a entender que a medida foi eleitoreira, visto que estados como São Paulo, que tem PIB maior do que o nosso, não definiram salário regional.''

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