Rio de Janeiro – O salário mínimo brasileiro perdeu 35% de seu poder de compra na década de 90, segundo dados publicados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas Sócio-econômicas (Dieese).
Segundo a diretora técnica do organismo oficial, Suzanna Sochaczewski, a alta na taxa de desemprego registrada no período estudado (1989 a 1999) foi um dos fatores que pressionaram os trabalhadores a aceitar salários mais baixos.
A funcionária destacou também a queda dos salários registrados na maioria dos setores econômicos em São Paulo, pulmão econômico do Brasil e tomado como parâmetro pelo Dieese. Nos anos 90, os salários caíram 16,8% na indústria, 21,5% na construção civil, 23,7% no comércio e 13,1% nos serviços.
Somente os empregados domésticos receberam um aumento de 26,1% em seus salários durante o período estudado. O salário mínimo brasileiro passou em 1º de abril de R$ 180 a R$ 200 (cerca de US$ 86,00), um incremento equivalente a 11,1%. O aumento vai beneficiar trabalhadores ativos e 14 milhões de aposentados e pensionistas.
Segundo o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, o salário mínimo atualmente ‘‘é apenas uma referência para o setor público’’. ‘‘No Rio de Janeiro, apenas 3% dos funcionários do mercado formal ganham o salário mínimo e 2% (recebem essa remuneração) em São Paulo’’, destacou.
Dornelles reconheceu que 90% dos trabalhadores das pequenas comunidades e regiões Norte e Nordeste do Brasil, as mais pobres do País, recebem o salário mínimo.

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