Salário mínimo necessário cresce 8% em cinco meses
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sábado, 27 de junho de 2015
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Londrina - O salário mínimo necessário para o sustento de uma família de quatro pessoas, calculado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) chegou a R$ 3.377,62 em maio deste ano, o que significa aumento de 8,3% sobre o valor de janeiro passado, de R$ 3.118,62. A rápida variação se explica pela alta inflação neste ano, causada principalmente por reajustes em preços controlados e impostos, que impactam no valor de produtos e serviços em geral e corroem a renda do trabalhador.
Ante o valor de R$ 3.079,31 do maio do ano passado, que considera um período de 12 meses, a variação é de 9,6%, 1,3 ponto percentual acima do cálculo para os primeiros cinco meses deste ano. Se considerado os R$ 2.975,55 de dezembro de 2014, a diferença é ainda maior, de 13,5%. Isso significa que o orçamento das famílias sofreu grande parte da perda em um período de seis meses, o que ajuda a explicar a sensação de falta de dinheiro do consumidor.
Outro ponto a ser levado em consideração é que a inflação não é considerada de demanda, mas de custos, diz o economista Fabiano Camargo da Silva, do Dieese. Diferentemente do período em que o desemprego caía mês a mês e o consumidor ia às compras, são os reajustes nos impostos e nas tarifas de serviços públicos promovidas pelos governos estadual e federal que refletiram fortemente nos custos das empresas e, por consequência, dos produtos. "Em 12 meses, a energia elétrica tem um peso de quase um terço da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) na região de Curitiba", diz Silva, que lembra também da alta no preço dos combustíveis.
Ele lembra que os custos da alimentação, que representam cerca de 30% do cálculo do mínimo necessário, subiram tanto fora quanto dentro de casa. E acima da inflação, o que afeta ainda mais a população de baixa renda.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) de Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, afirma que a expectativa é que a inflação aumente ainda mais neste ano, com chance de cair para patamar mais próximo da meta estipulada pelo Banco Central, de 4,5%, somente em 2017. Por isso, por mais que a conta do Dieese de maio de 2014 tenha representado o maior nível daquele ano, desta vez há risco de o mínimo necessário se distanciar ainda mais do mínimo real, hoje em R$ 788. "O mercado tem divulgado estimativas de que a inflação possa chegar a 9% neste ano e o risco aumenta devido à maior dificuldade em gerar empregos, por causa do ajuste fiscal", explica Oliveira.
Para o economista do Dieese, o governo erra ao elevar juros para conter a inflação, porque a alta é provocada pelos custos e não pela demanda. Para Oliveira, porém, a prática pode ter origem na necessidade de a União atrair compradores para a dívida pública, para ter mais dinheiro em caixa em um ano de desaquecimento.
PERTO DO MÍNIMO REAL
O economista do Dieese diz que, apesar da recente corrosão da renda do trabalhador, é importante destacar que a política de valorização do salário mínimo dos últimos anos diminuiu o abismo entre o valor nominal e o necessário para sustentar uma família. Em maio de 2005, por exemplo, a relação entre os R$ 300 do salário real e dos R$ 1.588,80 do ideal era de 5,29. No mesmo mês de 2010, com R$ 510 e R$ 2.157,88, respectivamente, foi a 4,23. Em maio de 2015, porém, voltou a subir e está em 4,28. "Existia um discurso de que a valorização do salário mínimo tiraria a competitividade das empresas, mas essa política foi importante para o crescimento econômico do País nos últimos anos", diz Silva. O reajuste tem sido calculado pelo valor da inflação oficial mais o Produto Interno Bruto (PIB) nacional de dois anos antes.


