Salário médio tende à queda
Desde que o País entrou na era da estabilidade econômica, o salário do trabalhador teve períodos de altos e baixos até atingir a estagnação, no ano passado, com tendência de queda para este ano. Pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio-Econômicos (Dieese) mostra que a renda do trabalhador se equilibrou em relação ao primeiro ano do Plano Real, mas o excesso de mão-de-obra, a terceirização e mudanças na lei trabalhista colocam em risco o salário médio da população.
O principal fator que faz com que economistas façam previsões de redução na renda é a política do governo federal, que adotou como lema a flexibilização do trabalho. A mais recente medida para quebrar a rigidez da lei trabalhista foi a Medida Provisória baixada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no dia 3 deste mês, que permite a contratação do trabalhador por hora. A flexibilização da jornada de trabalho leva a uma queda de renda a médio prazo, afirma o economista do Dieese em Curitiba, Cid Cordeiro.
O desemprego elevado e o trabalho informal, sem carteira profissional, faz com que os sindicatos se enfraqueçam diante das categorias, admite o presidente da CUT no Paraná, Roberto van der Osten. Neste ano quem perder pouco na negociação salarial, sai ganhando, diz Osten. Para o sindicalista, a negociação entre empregados, patrões e sindicalistas será apenas para manutenção do emprego, em diversas categorias.
A análise da massa salarial, feita pelo Dieese, revela que entre os anos de 89 e 92 houve uma queda de 44% na renda da população assalariada. A diminuição foi motivada pelo período de inflação galopante, em que os salários não conseguiam acompanhar a desvalorização da moeda. Entre 93 a 95 a situação se inverteu e houve uma recuperação salarial de 34%. Isto ocorreu por causa do período de baixa inflação, o que provocou aumento no poder de compra da população. Nos anos 96 e 97, chegou a fase da estagnação devido ao período de inflação baixa e até deflação em alguns meses.
Ao longo deste ano, o que se verifica é que a renda real do trabalhador caiu 2%. O efeito da crise mundial e o excesso de oferta de mão-de-obra fazem com que o empregador proponha cortes em benefícios e até nos salários dos empregados, principalmente daqueles que não têm registro em carteira. O fator desemprego tem cada vez mais reduzindo a massa salarial, afirma o economista do Dieese.Arquivo FolhaTempos de criseAcima, Cid Cordeiro, economista do Dieese: Flexibilização da jornada leva à queda de renda a médio prazo. Ao lado, Roberto van de Osten, presidente da CUT no Paraná: Neste ano, quem perder pouco na negociação salarial, sai ganhando.Carmem Murara





