Salário médio do empregado formal caiu 4% em 2000
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quarta-feira, 07 de março de 2001
Agência Folha Do Rio 
A queda no salário médio dos trabalhadores com carteira assinada foi maior no País como um todo do que nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE no ano passado, em comparação com 1999. Esse foi o principal dado divulgado ontem pelo Ministério da Previdência com base na Gfip, a guia de recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
Segundo o ministério, o salário médio dos trabalhadores em todo País caiu 3,99% na média do ano passado, em relação a 1999. No mesmo período, a queda registrada pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nas seis regiões metropolitanas São Paulo, Rio, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte foi de 1,1%. Ou seja, a taxa da Previdência foi quase quatro vezes maior do que a do IBGE.
A diferença revelada na comparação entre os dois levantamentos aponta que, já com salários historicamente menores, os trabalhadores que estão fora dos grandes centros urbanos tiveram seus rendimentos reduzidos ainda mais drasticamente do que os das metrópoles no ano passado, pelo menos no que se refere ao mercado formal. Além disso, o governo federal sempre propagou que o problema da falta de emprego, diretamente relacionado à queda na remuneração, estava concentrado principalmente nas grandes cidades.
O ministro interino da Previdência, José Cechin, disse que foram computadas informações de 18 milhões de empregados e mais 1,5 milhão de autônomos, em 2,2 milhões de empresas. Tanto no levantamento do IBGE quanto no da Previdência, só se levou em conta os trabalhadores com carteira assinada e que, naturalmente, têm recolhimentos ao FGTS.
Segundo o Ministério da Previdência, o salário médio real descontada a inflação do trabalhador com carteira assinada caiu de R$ 732,06 em 99 para R$ 703,98 em 2000. Esses números foram deflacionados pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
O presidente do IBGE, Sérgio Besserman, afirmou que, para se comparar os dois levantamentos, tem de se tomar muito cuidado por causa das diferenças de metodologia. Entretanto, Besserman disse que a diferença refere-se, principalmente, à abrangência dos levantamentos. Outra questão com peso importante para explicar a diferença é a inclusão, no levantamento da Previdência, do mercado de trabalho rural, que não é pesquisado pelo IBGE.
Apesar da redução da massa de salários, a arrecadação da Previdência cresceu 6,6% em 2000 em relação ao ano anterior. Esse aumento se deu, segundo o ministro Cechin, porque caiu a evasão e a sonegação fiscal.


