O novo salário mínimo definido pelo governo federal entra em vigor neste sábado, dia 1º abril. Em anos anteriores, o mínimo passava a vigorar a partir de 1º de maio, data em que se comemora o Dia do Trabalho. Um acordo entre governo e as centrais sindicais antecipou a data.
O aumento de 14,29% reajustou o salário, que era de R$ 300 para R$ 350. Embora seja um aumento pequeno para o bolso dos trabalhadores, o porcentual é maior do que o do índice oficial de inflação, o IPCA, que é medido pelo IBGE. De fevereiro de 2005 a fevereiro de 2006, a inflação registrada foi de 5,5%.
''Esse reajuste permitiu aos trabalhadores um ganho real, mas o nosso salário mínimo está tão defasado que qualquer aumento que o governo conceda, ainda vai ser pouco'', avalia o contador José Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços, Contabilidade, Auditoria e Perícias de Londrina (Sescap). Segundo ele, o salário mínimo brasileiro é um dos menores do mundo, perdendo até para o Paraguai, país que praticamente não tem nenhuma indústria. Naquele País, o valor é R$ 550.
A ressalva é que uma minoria da população ganha o salário mínimo. O grupo é praticamente formado pelos aposentados e por empregados domésticos. ''O governo alega que não pode aumentar muito o salário para não causar um rombo maior na Previdência. O problema é que a Previdência, há muitas gestões, é mau administrada e ainda cerca de 5% dos assistidos têm salários muito altos, que representam metade dos gastos do órgão com os pagamentos'', informa Ribeiro.
O contador lembra ainda que algumas famílias chegam a receber até R$ 300 mensais, através dos programas assistenciais do governo federal. ''Desta forma, quem nunca trabalhou e nunca contribuiu com a Previdência tem rendimento igual a um aposentado'', compara. Sobre o aumento de R$ 50 no salário, apesar de ser um ganho real, ele lembra que essa quantia é diluída nas despesas gerais de uma família.
Por isso, na sua avaliação, o salário mínimo brasileiro deveria ser de R$ 600. ''Embora não seja alta, é uma quantia boa pelo tamanho da nossa economia'', comenta. No entanto, Ribeiro lembra que os salários das demais categorias de trabalhores foram achatados com a implantação da Unidade Real de Valor (URV), que ocorreu durante a gestão do então presidente Itamar Franco.

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