Salário da mulher é 25% menor do que do homem
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sábado, 14 de novembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O salário médio mensal das mulheres do País equivalia a 74,5% do valor do rendimento dos homens no ano passado, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014 divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença diminuiu em relação ao mesmo levantamento de 2013, quando estava em 73,5%, mas é grande quando observado que a mulher tem maior escolaridade e ganha menos na mesma função.
O rendimento médio mensal real, já descontada a inflação, foi de R$ 1.987 para os homens no ano passado e de R$ 1.480 para as mulheres. Apesar de a mulher ter menos horas trabalhadas semanais no emprego principal do que homens, com 35,7 para elas e 41,8 para eles, a diferença no rendimento por hora na labuta também foi diferente. Eles recebiam R$ 14,30 por hora e elas, R$ 11,99, de acordo com a Pnad.
Quando considerados cargos de gerência, o salário masculino foi de R$ 5.113 e o feminino, de R$ 3.463. Entretanto, as mulheres tinham, em média, 8,0 anos de estudo e os homens, 7,5 .
A professora de economia Katy Maia, que desenvolve um estudo sobre gênero no mercado de trabalho, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que a maior diferença nos rendimentos entre ambos os gêneros se dá em empregos mais especializados e de maiores salários. "Existem mais homens em cargos de chefia e as mulheres são mais empurradas para setores como serviços, que pagam menos do que as indústrias, o que achata o salário delas apesar da maior escolaridade", diz.
Com políticas públicas, a economista acredita que a diferença diminua ao longo do tempo, já que a mulher entrou no mercado na segunda metade do século passado. "Temos também o sistema de cotas raciais porque existe uma dívida social, já que a escravidão acabou somente há pouco mais de cem anos e gerou a diferença", completa Katy.
Em relação à cor da pele, 65,3% de cor branca tinham emprego formal no País no ano passado e 51,3% de cor preta ou parda. No Paraná, a diferença diminui para 70,5% e 63,0%, respectivamente.
O País tinha 98,6 milhões de pessoas ocupadas no ano passado, aumento de 2,9% em relação a 2013. Porém, o crescimento da população economicamente ativa (PEA) foi de 1,7% no período. Somente quando considerada a PEA, a proporção teve alta de 61,2% para 61,9% no ano passado.
Ainda, quando considerado o contingente de desocupados, também houve elevação em 2014. Eram 7,3 milhões de pessoas desocupadas no ano passado, 9,3% a mais que em 2013. A taxa de desocupação ficou em 6,9% no ano pesquisado, contra 6,5% em 2013. Para a professora da UEL, o aumento de desocupados se deve à piora do cenário econômico, com maior desemprego e inflação mais alta. "Pessoas da família voltam a procurar emprego para complementar a renda, seja o jovem ou o avô que more no mesmo domicílio."
O diretor de estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco Castro, alerta que 2014 foi um ano em que a crise foi sentida parcialmente. "Havia um cenário de baixo crescimento econômico e de início do desemprego, principalmente na indústria, que paga os melhores salários."
A tendência para 2015 é um aprofundamento da crise também nos indicadores do Pnad, segundo ele. "O aumento do número de pessoas que trabalhavam por conta própria em 2014 é a sinalização de que o baixo crescimento econômico começou a atingir o mercado de trabalho, o último a ser atingido", completa Castro.
A boa notícia em 2014 foi a persistência dos aumentos reais nos salários do trabalhador. Já atualizados pela inflação, o valor passou de R$ 1.760 em 2013 para R$ 1.774 no ano passado, alta de 0,8%.
A questão geracional é preponderante no meio tecnológico. No ano passado, 95,4 milhões de pessoas de 10 anos ou mais acessaram a internet, o que significa um crescimento de 11,4% no número de usuários, na comparação com 2013, conforme a Pnad. Foram 9,8 milhões a mais de brasileiros conectados.
Ainda, 136,6 milhões de pessoas acima de 10 anos tinham celular para uso pessoal em 2014, um aumento de 4,9% sobre 2013. A proporção desse grupo entre a população ficou em 75,2%, em 2013, passando para 77,9% do total no ano seguinte. (Com Agência Brasil)


