Salário cai e desemprego aumenta na indústria
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro O mercado de trabalho industrial foi marcado por resultados negativos em outubro. Houve queda no número de ocupados na comparação com setembro (-0,5%) e ante outubro do ano passado (-1,6%). O rendimento dos trabalhadores também registrou redução, de -0,1% ante setembro e de -3,6% no confronto com igual mês de 2002.
''Com a produção da indústria acumulando crescimento zero no ano até outubro, não há como imaginar uma reação mais forte do mercado de trabalho'', observou o economista André Macedo, da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, ''uma evolução maior do emprego depende de maior sustentabilidade da recuperação da indústria''.
Macedo observou também que a reação na produção industrial registrada em setembro e outubro foi impulsionada por bens de capital e bens de consumo duráveis, segmentos que não são intensivos em mão-de-obra. Além disso, chamou a atenção para o fato de que a indústria registrou momentos de recessão na primeira metade deste ano, o que impediu contratações no setor. ''Há também uma defasagem temporal na reação do emprego em relação à recuperação da produção na indústria'', afirmou.
No ano, a ocupação na indústria acumulou até outubro queda de 0,5% e, em 12 meses, redução de 0,4%. Macedo destacou os resultados do índice de média móvel trimestral - considerado o principal indicador de tendência -, que, segundo ele, mostraram que a queda de 0,5% na passagem de setembro para outubro ''não reverteu a trajetória ligeiramente positiva do emprego industrial''. Segundo este indicador, houve um avanço de 0,2% na passagem do trimestre encerrado em setembro para o trimestre encerrado em outubro no emprego da indústria.
A queda na ocupação em outubro, que chegou à sétima retração consecutiva ante igual mês do ano passado, continua comprometendo o poder de barganha dos trabalhadores e contribuiu para a redução do rendimento na indústria. A redução de 0,1% na folha de pagamento real ante setembro, já descontadas as influências sazonais (típicas de determinado período do ano), foi o terceiro resultado negativo consecutivo nessa base de comparação. Essa redução, segundo o IBGE, foi confirmada pelo índice de média móvel trimestral, que apresentou perda de 0,7% no valor real da folha de pagamento entre os trimestres encerrados em outubro e setembro deste ano.
Houve também redução ante outubro do ano passado (-3,6%). No ano, a queda chega a 5,9% e, nos últimos 12 meses, a 5,6%. Macedo acredita que os trabalhadores do setor estão muito mais preocupados em manter o emprego do que em lutar por melhores salários.


