O governo do Estado deveria interromper a construção de usinas hidrelétricas para poder preservar o que ainda resta de suas bacias hidrográficas, pois já deu mais do que devia para o País no setor de geração de energia. Essa teoria vai ser defendida pelo promotor Saint’Clair Honorato Santos da Promotoria de Estadual de Defesa ao Meio Ambiente, durante o primeiro ‘‘Seminário sobre Matriz Energética’’.
O evento será promovido pelo Conselho Regional de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos do Paraná (Crea-PR) e vai reunir autoridades em energia e meio ambiente nos próximos dias 14 e 15 (segunda e terça-feira). As palestras ocorrerão no Edifício Castelo Branco, no Centro Cívico de Curitiba.
O promotor falará sobre o patrimônio ambiental do Paraná e os estragos ao meio ambiente provocados pela construção de barragens e usinas. ‘‘Chega de construir usina no Paraná, pois nós temos energia de sobra que acaba sendo exportada. Está na hora de pensar mais na conservação de nossos rios e na preservação das espécies animais’’, ressalta Saint’Clair.
Em plena crise energética que abala o País e provoca racionamento nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, o promotor defende que o Paraná não contribua mais com geração energética. ‘‘Fizemos o máximo. Chega de exportar energia’’, declarou. Em sua avaliação, os Estados deveriam resolver de maneira independente do restante do País suas necessidades energéticas.
Na palestra aos engenheiros do Crea, o promotor dirá que não é contra a geração de energia, considerada fundamental para o desenvolvimento econômico. Mas ele defenderá investimentos em fontes alternativas que não causem tantos danos ambientais. ‘‘Sou contra a hidro e a termeletricidade. Por que não investimos mais em energia solar?’’, questionou, ao dizer que o País precisa diversificar sua matriz energética.
No caso das hidrelétricas, o prejuízo ambiental ocorre devido ao alagamento de grandes extensões de terra, muitas vezes com reservas florestais ou próprias para agricultura. ‘‘Sem contar a perda de espécies de animais. O Paraná teve uma grande perda de seu patrimônio genético’’, afirmou. Os lagos artificiais também afetam o meio ambiente, pois provocam alterações climáticas.
Saint’Clair Honorato Santos defende a realização de plebiscito para a construção de novas usinas no Estado. Ele tem restrições, inclusive, à instalação de Pequenas Usinas Hidrelétricas (PCHs). ‘‘Essas PCHs têm de ser feitas com autorização dos órgãos ambientais, mas não precisam fazer o estudo de impacto ambiental, o que é muito ruim’’, afirmou.

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