''Saímos do obscurantismo, mas resfriado pode matar o doente''
Arquivo FolhaCirurgiaPastore: liberação do câmbio foi como espremer um furúnculo- Banco Central: Saímos do obscurantismo e uma luz se acendeu no horizonte, Graças a Deus. A economia brasileira deu uma demonstração cabal de sua capacidade, arrombando as restrições impostas pelos pseudodonos da verdade, abrindo perspectivas brilhantes para o seu futuro. Ninguém pode ignorar que dificuldades existirão. O pós-operatório de uma operação como a que foi feita é muito complicado. Qualquer resfriado pode matar o doente. Erros como a elevação dos juros podem pôr tudo a perder. (FSP, 21/1/99)
- Albert Fishlow, economista-consultor do Council of Foreign Relations, em Nova York: O PIB pode crescer entre 1% e 2% em 99, em razão da mudança da política cambial. Espero que em poucos dias todos comecem a se concentrar no problema fiscal e não no cambial. Assim que o Congresso entender a necessidade de controlar o déficit fiscal, o sistema voltará à normalidade. (O Globo, 19/1/99)
- José Pastore, professor de economia da USP: É prematuro concluir que, com a virada na política cambial, os juros baixarão e as exportações explodirão num passe de mágica. Uma coisa, porém, é certa. O Brasil tem pela frente uma rara oportunidade de executar um belo programa de reformas institucionais. É evidente que o desemprego se pode agravar se a economia se desorganizar por inteiro. Isso é pouco provável. (OESP, 19/1/99)
- Edmar Bacha, chefe do escritório do Banco BBA em Nova York: A desvalorização não deve provocar quebradeira de empresas ou trazer dificuldades para o governo pagar sua dívida externa. As empresas com dívida externa são fortes e muitas delas se protegeram comprando títulos cambiais do governo (que acompanham a variação do dólar) ou na BM&F (contratos que garantem a compra de dólar por um valor acertado previamente). Deverão ocorrer casos individuais, mas nada que não possa ser resolvido com o crédito que o Banco Mundial e o BID devem estender ao Brasil. (FSP, 18/1/99)
- Henrique Meirelles, presidente do BankBoston: A notícia (da livre flutuação) é boa, claro. O risco era que o Brasil poderia tentar lutar contra os mercados e manter a taxa de câmbio por um, dois ou três meses mais, com os mercados apostando contra isso, e eles continuariam perdendo reservas, e seriam forçados a uma desvalorização sem nenhum poder de fogo. (The Wall Street Journal, 18/1/99)
- Paulo Nogueira Batista Jr., professor da FGV: O BC fez a coisa certa porque liberou o câmbio e permitiu que ele se depreciasse. A transição de um regime de câmbio sobrevalorizado para um de flutuação é sempre muito delicada. O ideal seria que o Brasil consolidasse, nas próximas semanas, um regime de câmbio administrado, com o câmbio flutuando entre R$ 1,40 e R$ 1,50 por dólar, mas sem assumir compromisso, sem fornecer um alvo para os mercados. (O Globo, 18/1/99)
- Sérgio Werlang, diretor-executivo do Banco BBM: Se em um primeiro momento a recessão pode ser mais profunda do que se esperava, a recuperação será mais rápida também. (OESP, 18/1/99)
- Affonso Celso Pastore, economista e ex-presidente do Banco Central: O Banco Central abortou a crise ao liberar o câmbio. Foi como espremer um furúnculo. (Jornal do Brasil, 16/1/99)
- Jacks Rabinovich, presidente do conselho de administração do Grupo Vicunha: Foi uma atitude corajosa do presidente FHC ao encarar a realidade e tomar a decisão na direção do que o mercado esperava. A medida pode ser acompanhada da queda dos juros. (FSPm 16/1/99)





