A saída para a crise que a suinocultura brasileira vem enfrentando há quatro anos - desde que foram levantados embargos à exportação depois de confirmados focos de febre aftosa no País - está no mercado interno. A avaliação é dos próprios criadores, que acreditam que há espaço para um incremento no consumo. Em geral, cada brasileiro consome apenas cerca de 14 quilos de carne suína por ano, quantidade considerada baixa, principalmente, se comparada com ''os campeões de consumo'' como Espanha (66 quilos per capita/ano) e Dinamarca (63 quilos por habitante/ano).
A saída para a crise na suinocultura foi o tema principal do seminário ''Desafios e tendências nos mercados de suínos e aves'', promovido pelo Canal Rural, ontem na 49 ExpoLondrina. ''O problema do status sanitário do Brasil vai demorar para ser resolvido. E mesmo se resolver, os importadores vão falar do bem-estar animal, da contagem de salmonela da carne...'', afirmou Rubens Valentini, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS). A lógica é que os países consumidores também são produtores e, por isso, começariam a impor barreiras ao produto brasileiro. ''Se aumentássemos o consumo em um quilo por pessoa por ano poderíamos até deixar de exportar'', estima. Para isso, os criadores lançaram campanha em sete Estados, inclusive no Paraná, para divulgar a carne suína e estimular o consumo.
Desde a década de 70 caiu em 40% o consumo de carne suína no Brasil. Apesar disso, pesquisa realizada pela ABCS no ano passado mostrou que 43% dos brasileiros têm preferência pela carne; o índice é superior ao dos bovinos, citado por 34% dos entrevistados e das aves, lembrado por 18%. A conclusão a que se chegou para o baixo consumo são várias: preconceito contra o produto; preço relativamente alto; formato de venda inadequado; falta de conveniência; e ainda o fato de a carne estar associada à obesidade. ''Ainda comercializamos a carne de forma antiga, temos que reformar isso e passar a vender mais embalados e cortes mais limpos'', observou Valentini.
Um projeto piloto desenvolvido pela associação em Brasília na rede varejista apresentou novas alternativas de cortes e de preparos com o intuito de levar o consumo de carne para o cotidiano das pessoas. ''O resultado é que as vendas aumentaram de 50% a 240% nos pontos de venda'', disse o presidente da entidade. No Paraná, os criadores também têm tomado outras medidas. Projeto desenvolvido em parceria com o governo do Estado irá incluir a carne suína na merenda escolar. Os suinocultores também conseguiram descontos na energia elétrica noturna - programa iniciado com os avicultores - para minimizar os impactos dos custos de produção.
Preço mínimo
Os suinocultores negociam também com o governo federal a definição de um preço mínimo. A proposta, que ainda enfrenta resistência dentro do governo, é vista como um ''salva-vidas'' para o setor, que tem amargado prejuízos, porque poderá trazer mais liquidez para criadores e indústrias. Outro pedido é a inclusão da carne suína no IGP-M (índice oficial de inflação) porque oferece uma relação direta entre o animal vivo e o produto no varejo. ''Em outubro os preços aos produtores caíram 50% em 15 dias e, até agora, houve uma variação mínima no atacado e no varejo'', informou Valentini. Naquele período o preço ficou na casa de R$ 1,60 o quilo. Neste mês, já houve uma reação e o preço do quilo tem variado entre R$ 1,80 e R$ 1,85.
Mesmo assim, a cotação ainda não é considerada ideal. O preço mínimo pedido pelos produtores seria de R$ 2 o quilo. ''Em novembro e dezembro as exportações caíram e o produto foi 'desovado' no mercado interno. Isso contribuiu para uma redução de preços'', acrescentou Irineu Wessler, presidente da Associação Paranaense de Criadores de Suínos. O Brasil produz cerca de 2,13 milhões de toneladas de carne suína por ano, sendo o quinto maior produtor mundial. Entre os 20 maiores importadores, o Brasil exporta apenas para Rússia e Hong Kong. Estes dois países não são considerados áreas livres de febre aftosa sem vacinação, status semelhante ao nacional. ''Entre os nove primeiros exportadores mundiais apenas o Brasil não é área livre de aftosa (o País ocupa a sétima posição)'', disse o presidente da ABCS.

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