Guto Rocha
A diversificação das atividades na propriedade rural por médios e pequenos produtores é o caminho que o setor tem para se manter vivo. Pelo menos é o que ficou claro ontem no simpósio ‘‘Viabilização da Pequena e Média propriedade Rural, promovido pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina , na Sociedade Rural do Paraná.
Os participantes tiveram oportunidade de conhecer as diversas alternativas que podem adotar para diversificar suas atividades e garantir aumento da renda. Uma das alternativas propostas foi o ‘‘Processamento Mínimo de Frutas e Hortaliças - Como Agregar Maior Valor ao produto Primário’’ apresentada pela bioquímica com pós-doutorado em Fisiologia Pós-colheita da Universidade Federal de Lavras (MG), Maria Isabel Fernandes Chitarra.
Maria Isabel disse que o processamento mínimo da produção agrega valor ao produto e eleva os ganhos do agricultor, com a seleção, lavagem, descascamento, corte e embalagem. A técnica observou no entanto que, apesar de parecer simples, o processamento mínimo requer domínio de tecnologia e pesquisa de mercado para saber qual são os produtos que terão aceitação do consumidor. ‘‘O produtor precisa saber que sua mercadoria é um produto vivo e perecível, e que para ter aceitação deve manter as características de produto fresco e garantir a saúde de quem os consome’’, explicou.
A técnica disse que o mercado de produtos com processamento mínimo é crescente no Brasil. ‘‘As pessoas não têm mais tempo para preparar refeições, mas também querem consumir produtos naturais’’, comentou. Ela disse que no Brasil não existe uma estatística do quanto este mercado movimenta. Nos Estados Unidos, a comercialização destes produtos movimentou no ano passado US$ 6 bilhões. ‘‘A estimativa é de que nos próximos anos este mercado salte para cerca de US$ 20 bilhões/ano’’, afirmou.
Outra alternativa apresentada no simpósio foi o ‘‘Agro-turismo: exploração dos recursos naturais da propriedade rural’’. O tema foi tratado pelo secretário Municipal de Turismo de Balsa Nova, Carlos Solera. O secretário disse que prefere chamar a atividade de ‘‘turismo em ambiente rural’’ para não limitar o conceito. ‘‘Turismo rural passa a idéia de que só em grande fazendas é possível trabalhar com a atividade’’, explicou.
Solera afirmou que o produtor interessado em explorar os recursos naturais de sua propriedade precisa buscar orientação técnica de profissionais da área de turismo. ‘‘Mas a criação do produto em si depende da criatividade e da percepção que o proprietário tem do espaço que quer explorar’’, comentou. O secretário observou que os clientes do turismo em ambiente natural buscam a autenticidade do ambiente rural, e que por isso os produtores deve manter a atividade principal da propriedade, a agropecuária, como um dos atrativos.
O secretário de Agricultura de Londrina, Samyr Cury, disse que o poder local deve dar condições para o desenvolvimento do pequeno e médio produtor para garantir o abastecimento das cidades e a criação de empregos no campo para a fixação do homem na zona rural.
O trabalho desenvolvido pela Secretaria de Agricultura de Londrina possibilitou que mais de 70 pequenos e médios produtores do município criassem pequenas agroindústrias. Cury observou que 40% destes agricultores já têm produto com selo do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e que todos têm a produção vistoriada pela Secretária Municipal de Saúde.

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