Os classificados dos jornais estão repletos de anúncios de pessoas que querem passar adiante o carro financiado, por não aguentar o peso da prestação. O representante comercial Israel da Rocha está tentando vender o Uno 96 que comprou para a esposa, no sistema de leasing, em 36 vezes. Desempregado, Rocha está com dificuldade para pagar a prestação mensal de R$ 400,06. Segundo ele, quando entrou no sistema de leasing o banco o avisou que a prestação seria de R$ 342,00. ‘‘Agora todo mês vem um resíduo que acaba elevando a prestação para R$ 400,06’’, conta.
Rocha diz já ter enviado uma carta para o banco reclamando. ‘‘Eles me explicaram vários detalhes, que nem entendi direito. Mas não adianta discutir’’, diz. A prestação alta é o que atrapalha a venda. ‘‘As pessoas se interessam, mas se assustam quando digo o valor da prestação’’, diz. Embora já tenha desembolsado R$ 3.600,00, Rocha quer 2.800,00 de entrada. ‘‘É melhor perder R$ 800,00 do que tudo. Se eu não conseguir vender, vou ter que devolver para o banco e ficar sem o que já paguei.’’
A família da dona de casa Cláudia de Freitas aceita R$ 5 mil de entrada na venda de um Tempra 97, financiado em 24 vezes. O valor inicial é baixo para compensar as prestações: faltam 18 parcelas de R$ 1.359,00. ‘‘Já pagamos R$ 12 mil. Tentamos pagar mais R$ 18 mil de uma vez, mas o banco não aceita. Quer o total da dívida.’’ Segundo Cláudia, é o alto valor da prestação que está afastando compradores. ‘‘E antes de entrar no financiamento, pesquisamos vários bancos e esse foi o mais atrativo que encontramos.’’ (Carina Paccola)

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