Saída é ''fatiar'' a Parmalat, diz ministro da Agricultura
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília - A saída para garantir o funcionamento da Parmalat e tentar reduzir as perdas dos produtores de leite passa pelo ''fatiamento'' da empresa, disse ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Com isso, cooperativas poderiam assumir o controle de unidades da multinacional, permitindo uma reestruturação da cadeia produtiva. O ministro voltou a descartar a possibilidade de o governo editar uma medida provisória, específica para a Parmalat, baseada no texto da nova Lei de Falências que está em discussão no Congresso Nacional. ''Ninguém sabe o tamanho do buraco, ninguém sabe o que está acontecendo'', ponderou.
A medida provisória, na avaliação dos deputados que compõem a comissão especial criada na Câmara para investigar o caso Parmalat, seria a saída para garantir a concessão de empréstimos e a continuidade do funcionamento da empresa. ''Apesar da decisão da Justiça (que destituiu a diretoria e nomeou um interventor), é preciso uma decisão complementar do governo para criar um ambiente favorável à injeção de recursos'', defende o relator da comissão, deputado Assis Miguel (PT-SC).
Da forma como está hoje, mesmo se quisesse usar instituições públicas para ajudar a retomada da Parmalat, o governo estaria impedido. No Banco do Brasil, por exemplo, a política de concessão de crédito impede novas operações com a empresa. O ponto de partida para análise de crédito é a avaliação do histórico e o relacionamento do cliente com o banco. ''Esse é um requisito essencial. Se não passar, já está fora'', explicou o vice-presidente de Crédito e Avaliação de Risco, Adézio de Almeida Lima.
Segundo ele, para o BB participar de uma reestruturação da empresa são necessárias definições importantes como quem será o novo administrador e qual a garantia jurídica da nova estruturação da empresa. Somente a partir daí o BB poderá fazer alguma análise. Lima e o vice-presidente de Agronegócios, Ricardo Conceição, argumentam, no entanto, que o BB já vem atuando para ajudar fornecedores da empresa que estão no prejuízo com a crise financeira atual.
''Temos R$ 300 milhões em linhas de crédito para ser liberados e R$ 120 milhões já foram aprovados'', afirmou Conceição, referindo-se aos empréstimos que estão sendo concedidos a empresas e produtores de leite.


