Saída de técnicos ameaça sanidade do gado no Paraná
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terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Vânia Casado<Br>De Curitiba 
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) está correndo sério risco de ser esvaziada no seu corpo técnico, o que pode comprometer o serviço de Defesa Sanitária do Estado, estruturado com esforço e apoio das entidades de classe. A afirmação é do presidente do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná, Péricles Salazar, que está preocupado com a possibilidade de ocorrer uma debandada de mais de 50 técnicos, entre engenheiros agrônomos e médicos veterinários, do Departamento de Fiscalização da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento para o Ministério da Agricultura.
Esses técnicos, a maioria contratada em 1998, mas muitos com dez a 12 anos de serviço, estão na iminência de abandonar seus empregos no Estado, onde ganham menos de R$ 1.300, incluídas as gratificações, para ganhar o dobro no Ministério da Agricultura. Eles prestaram concurso no órgão federal e pelo menos 52 técnicos, sendo 34 médicos veterinários e 18 engenheiros agrônomos já manifestaram a intenção de sair.
''Trata-se de um pessoal extremamente qualificado, muitos com cursos de pós-graduação e especialização, cuja falta é altamente prejudicial num momento que o Estado se prepara para avançar nas exportações do agronegócio'', disse Salazar. Ele salienta que graças ao trabalho executado por esse corpo técnico o Paraná ganhou o reconhecimento de área livre da febre aftosa e as indústrias estão conseguindo alavancar as exportações de carne. O setor mais promissor é o de carne suína, que esse ano vai render US$ 350 milhões ao Estado e deve crescer ainda mais com as perspectivas das indústrias venderem o produto para a China e para a União Européia.
O diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Norberto Ortigara, vê a situação com muita preocupação. Ele diz que a Seab investiu muito no corpo técnico em treinamentos e cursos de capacitação e seria uma lástima essa perda. Ortigara está preparando uma proposta que será enviada ao governador Jaime Lerner (PFL), nos próximos dias, sobre uma reestruturação total do serviço agrícola no Paraná, que necessariamente passa por melhoria salarial e plano de carreira.
''Do jeito que está, não podemos pensar em perder nenhum técnico'', afirma. Ortigara admite que há um déficit de funcionários na estrutura, que pode comprometer o serviço de Defesa Sanitária Animal e Vegetal, num momento que aumentam as exigências de ordem sanitária. Ortigara disse que a última reorganização do setor agrícola no Paraná aconteceu em 1975 e que a estrutura precisa ser modernizada e oxigenada com a entrada de pessoal, à exemplo do que está fazendo o Ministério da Agricultura.
Técnicos do Centro Panamericano de Febre Aftosa estiveram recentemente no Paraná e apresentaram um relatório, onde consideram a estrutura de Defesa Sanitária do Paraná insuficiente para manter a área livre da doença, mesmo com vacinação. Eles constataram que a estrutura não atende às exigências para manter a vigilância sanitária para evitar o risco de endemias e doenças no rebanho do Estado.
O Ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, apela aos governadores para que não descuidem da defesa sanitária nos Estados, neste momento em que o País está se reestruturando para conquistar novos mercados importadores de carnes, cujas exigências sanitárias são extremamente rigorosas.


