As saídas de dólares voltaram a crescer ontem. Até as 19h15, foi registrada uma perda de US$ 580 milhões - sendo US$ 220 milhões no dólar flutuante (segmento do dólar turismo) e outros US$ 360 milhões no dólar comercial. Os registros podem ser feitos até as 21h30. Segundo os analistas, a perda total deve ficar mais próxima de US$ 700 milhões.
Na terça-feira, saíram US$ 354,6 milhões (US$ 210,1 milhões no flutuante e US$ 144,5 milhões no comercial). As reservas internacionais (o caixa em moeda forte) do País, estima o mercado, já deve ter atingido o patamar de US$ 48,3 bilhões. A perda acumulada já ultrapassa a marca de US$ 26 bilhões - quase o total arrecadado com a venda conjunta da Telebrás e da Vale.
Ontem, uma certeza virou dúvida: a queda dos juros nos EUA. A redução - ainda não descartada - poderia ajudar o cenário internacional, mas seus impactos sobre o Brasil são menores do que se supõe, já que o País enfrenta um problema de confiança e não de preço.
O que o mercado continua apostando é que haverá uma ajuda externa para a América Latina - mas de valor incerto. Há ainda outra certeza (ou esperança): na surdina, a equipe econômica prepara um pacote fiscal para ser anunciado depois das eleições - que possa ser visto como mais forte do que o que já foi formalizado.
Os analistas de mercado esperam por uma blitz parlamentar em favor das reformas ainda antes da virada de ano. Assim, se não ocorreu ontem o otimismo da véspera, também já não se aposta na pior hipótese. O mercado caiu na real. Tanto que, em todos os mercados, de títulos da dívida ou de ações, os que estavam ‘‘vendidos (apostam na baixa) a descoberto’’ (não tinham os títulos ou as ações) estão sendo obrigados a ‘‘zerar suas posições - ou seja, comprar títulos ou ações.

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