Rio A suspensão dos vôos da Vasp, determinada esta semana pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), vai provocar um efeito colateral nas estatísticas do setor. Com a paralisação dos jatos da companhia aérea, a idade média da frota nacional em operação vai encolher perto de 25%, passando de 12 anos para 9 anos. O recebimento de novos jatos nas concorrentes Gol e TAM também contribuirá para a redução da idade média.
Os jatos da Vasp têm, em média, 27 anos de idade, segundo o DAC. A estimativa da idade média geral, feita pelo consultor em aeronáutica Paulo Bittencourt Sampaio, levou em conta as frotas da Gol, TAM e Varig, além da Vasp. As três primeiras empresas concentram 97% de todo o tráfego doméstico em dezembro, o tamanho do mercado da Vasp já era de apenas 0,75%.
''Tem havido melhora. Isso ocorreu, dentre outros motivos, em função da retirada de aviões muito antigos da Vasp, que puxavam a média de tempo de uso para cima'', comenta Sampaio. O coordenador de segurança de vôo do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas (Snea), Ronaldo Jenkins, confirma a tendência. ''A retirada dos jatos da Vasp, alguns com mais de 30 anos, ajuda a frota geral a se rejuvenescer'', diz. Não há no DAC e no Snea dados sobre a evolução anual da idade da frota ou comparação com mercados externos.
Os dois especialistas concordam, contudo, que a idade média atual não pode ser considerada ruim. Isso porque, dentre outros motivos, o prazo de financiamento para a compra de aviões novos já chega perto de 15 anos e a idade média atual equivaleria a 60% deste prazo. O especialista do Snea comenta que não há um prazo definido para o fim de operação de um jato. ''Mantendo a estrutura e a manutenção em dia, pode voar muito tempo, mas ele vai se tornar antieconômico'', diz Jenkins, citando que o custo de manutenção dos aviões antigos.
Para o coordenador do Snea, a frota nacional está sendo renovada. Ao todo, as grandes empresas somam ao redor de 215 aviões, incluídos aí os jatos da Vasp. Em dezembro, a empresa tinha 31 aviões, dos quais 18 disponíveis e 13 fora de operação, segundo o departamento. Esta semana, a Gol assinou contrato com a Boeing confirmando quatro opções de compra de jatos 737-800.
Já a TAM programou receber, em 2005, cinco aviões novos, diretamente do consórcio europeu Airbus: serão quatro jatos A320 e um A330. A Varig vem, também, tentando renovar sua frota. Em 2003, teve de devolver 26 jatos e recebeu 7. Em 2004, numa tentativa de recompor a frota, recebeu 15 jatos - no mesmo ano foram devolvidos 8, ao término dos contratos.

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