Como a situação no mercado financeiro ainda é de completa indefinição, os analistas apontam os fundos de 60 dias DI (atrelados à variação dos juros do CDI - título trocado entre bancos) como a opção mais indicada e segura no segmento de renda fixa. Nessas aplicações, o investidor recebe rendimento bastante elevado, além de ficar protegido contra eventual alta das taxas de juro. ‘‘Neste momento de forte turbulência, o investidor deve dar preferência aos fundos DI’’, recomenda o gerente de Administração de Carteiras do Banco Credibanco, Carlos Alberto Hokama.
O gerente de Fundos de Investimento do Continental Banco, Ricardo Gonçalves, ressalta, no entanto, que o dinheiro aplicado em fundos de renda fixa prefixados não deve ser sacado, desde que o administrador tenha ajustado o valor dos papéis da carteira a valor de mercado.
O ajuste fez com que alguns fundos prefixados apurassem rentabilidade negativa no mês passado, em razão da forte elevação dos juros promovida pelo Banco Central (BC). A correção ocorre porque, com a alta das taxas, o valor dos títulos prefixados diminui. Desse modo, ao fazer o ajuste, o patrimônio do fundo sofre redução, e a cota apresenta desvalorização.
Uma vez feita a correção, os papéis que compõem a carteira do fundo passam a ser remunerados pelo novo nível, mais elevado, de juros. Por isso, o cotista não deve abandonar a aplicação. Se o fizer, haverá o custo da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no momento da aplicação num novo fundo, além da incidência do Imposto de Renda de 15% na hora da saída. E, como os fundos de 60 dias têm vencimento apenas a cada dois meses, é muito provável que o cotista saque fora da data.
Se mantiver seus recursos no fundo até o fim do vencimento de cada papel, o investidor receberá a taxa pactuada na contratação do título e, de certa forma, o que perdeu agora será recuperado. Quem for saindo antes dos vencimentos dos títulos acaba tendo prejuízo. É por essas razões que os especialistas de mercado recomendam que o investidor não saque.
Gonçalves explica que, com o ajuste, todos os cotistas são tratados da mesma forma. Se não houvesse a correção dos títulos a valor de mercado, quem saísse antes seria beneficiado e quem entrasse depois, prejudicado.
Alguns administradores de fundos prefixados não fizeram o ajuste. Com isso, esses fundos devem estar rendendo abaixo de 0,13% ao dia, estima o vice-presidente de Investimentos do Banco CCF Brasil, Marcelo Giufrida. Se for assim, o investidor deve sacar.
Quem quiser mesmo aplicar nas Bolsas agora, deve escolher um fundo de ações ou de carteira livre com muita atenção. O diretor da Fenícia Projetos e Participações, Ricardo Sampaio Corrêa Filho, entende que a melhor opção são os fundos com carteira diversificada, que mesclam ações de primeira e de segunda linha. São aplicações administradas ativamente, ou seja, não seguem como parâmetro o Índice Bovespa (IBovespa), que mede a variação dos papéis mais negociados na Bolsa paulista, ou qualquer outro índice. Ele ressalta ainda que é preciso investir com perspectiva de médio ou longo prazo. Para os próximos dois meses, ele acredita que as Bolsas devam continuar oscilando acentuadamente.

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