SAIBA O QUE PODE ACONTECER COM A ARGENTINA
1) Moratória (com reestruturação forçada da dívida) Ocorrerá se o país não obtiver desembolso ou empréstimos novos do FMI ou de organismos internacionais para honrar compromissos nos próximos dias. No dia 19, por exemplo, a Argentina precisará pagar US$ 300 milhões em títulos. Neste caso, o país simplesmente declararia unilateralmente não ter dinheiro para pagar suas dívidas, como fizeram o Brasil em 1985, o México em 1995 e a Rússia em 1998
Prós: A ''vantagem'' de uma moratória é a de obrigar os credores a renegociarem com o governo. Como os papéis argentinos perderam mais de 50% do valor de face, a renegociação, em tese, resultaria em um alívio da dívida externa estimada hoje em US$ 132 bilhões. Para os investidores, seria melhor receber menos, que não receber nada
Contras: A declaração da moratória secará qualquer fonte de financiamento voluntário para a Argentina. Não é uma garantia de que o país voltará a crescer também. Obrigatoriamente, avaliam economistas, teria que ser seguida de uma desvalorização ou da dolarização da economia
2) Dolarização Significara a troca de pesos por dólares. Contratos, depósitos, salários, impostos seriam pagos com a moeda norte-americana. Na prática, o país desiste de ter uma moeda própria
Para fazer a dolarização, o banco central argentino precisará de dólares suficientes para trocar todos os pesos. Na avaliação de economistas, isso só poderia ser feito com o apoio (leia-se novos empréstimos) do FMI e dos EUA, porque o país não tem a quantidade de dólares necessária para substituir a moeda local
Prós: Essa é a alternativa que encontraria a menor resistência da população e dos políticos argentinos. Parte expressiva da economia do país já é dolarizada. Os contratos de locação, por exemplo, são todos denominados em dólar
Contras: Dolarizar, no entanto, também não faria o país voltar a crescer, já que não eliminaria o principal problema: a falta de competitividade de seus produtos. Como os preços continuariam iguais, a procura pelos produtos argentinos no mercado externo não aumentaria. A dolarização tem também um custo alto: a perda de autonomia da política monetária
3) Desvalorização O governo deixa o valor do dólar oscilar e abandona oficialmente a lei de conversibilidade. O peso se desvalorizaria em relação ao dólar. A grande barreira para essa alternativa é o alto nível de endividamento, em dólares, do Estado, da população em geral e das empresas. Estima-se que 80% das dívidas, pública e privada, estão expressas na moeda americana. Uma desvalorização, dizem analistas, virtualmente quebraria o país
Prós: Com a desvalorização, aumenta a competitividade dos produtos argentinos no mercado externo. O crescimento das exportações reativaria a indústria nacional e diminuiria o desequilíbrio das contas externas
Contras: O temor generalizado, além da quebradeira, é de que uma desvalorização seja acompanhada do retorno da inflação. A desvalorização também é um processo que pode fugir ao controle do governo. Quanto maior a falta de confiança na moeda argentina e na disposição do governo em equilibrar suas contas, maior será a depreciação frente ao dólar americano





